REVISÃO: Fisiologia do Sistema Reprodutor Feminino

Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "REVISÃO: Fisiologia do Sistema Reprodutor Feminino".

TRANSCRIÇÕESFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO

Mirian Kurauti

8/17/202611 min read

No vídeo anterior, Flagelinho foi ejaculado na vagina e agora pode continuar sua jornada rumo à fecundação de um ovócito. Bora acompanhar essa jornada e aproveitar pra revisar a fisiologia do sistema reprodutor feminino?

E aí pessoal, tudo bem com vocês?

Mirian Kurauti, professora, mestre e doutora em fisiologia pela UNICAMP, e criadora aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal aí e ative as notificações pra você não perder nenhuma videoaula que a gente prepara sempre com muito empenho por aqui.

Agora, sem mais delongas, bora acompanhar a aventura do Flagelinho agora no trato genital feminino?

A vagina, onde o Flagelinho foi ejaculado, é apenas uma das estruturas do sistema reprodutor feminino, que é formado pela genitália interna (vagina, útero, tubas uterinas e ovários); genitália externa (monte do púbis, grandes lábios, pequenos lábios, vestíbulo da vagina e o clitóris); e pelas glândulas mamárias que a gente vai deixar pra revisar na videoaula sobre a fisiologia da lactação.

Então aqui, só revisando rapidamente a genitália externa do sistema reprodutor feminino também chamada de pudendo feminino ou vulva, a gente tem aqui o monte do púbis que é apenas uma camada de tecido adiposo recoberto por pele e pelos púbicos. Funciona basicamente como uma almofadinha pra proteger principalmente a articulação que tem aqui embaixo do monte do púbis entre os ossos púbicos, a chamada sínfise púbica.

Os grandes lábios, ou lábios maiores, são duas pregas cheias de tecido adiposo que é recoberto por pele e pelos púbicos que protegem indiretamente o clitóris, a abertura ou orifício da uretra e também a abertura ou orifício da vagina.

Os pequenos lábios, ou lábios menores, são duas pregas menores, que agora não têm mais tecido adiposo e nem pelos púbicos, ou seja, é só pele, que protege o vestíbulo da vagina.

O vestíbulo da vagina nada mais é do que a região que se encontra entre os lábios menores. Nessa região dá pra ver o óstio ou abertura da uretra e o óstio ou abertura da vagina que pode ser coberta parcialmente por uma membrana mucosa bem fininha chamada de hímen. Além disso, nas laterais do vestíbulo da vagina são encontradas pequenas aberturas das glândulas vestibulares que não dá pra ver aqui nessa imagem, mas que secretam um muco alcalino durante a fase de excitação.

E, por fim, o clitóris é uma pequena estrutura parecida com o pênis, pois contém tecido erétil, os corpos cavernosos, além de apresentar muitas terminações nervosas sensoriais assim como a glande do pênis (a pontinha do pênis). Sua função, portanto, tá relacionada à excitação sexual nas mulheres.

Mas voltando pra história do Flagelinho, durante o ato sexual, o Flagelinho foi ejaculado juntamente com outros milhares de espermatozoides, diretamente na vagina, que, só relembrando, é simplesmente um canal que funciona como um corredor que dá diretamente na porta do útero.

O pH da vagina é mais ácido e isso pode prejudicar os espermatozoides. Porém, lembre-se de que o pH mais alcalino do sêmen pode neutralizar e proteger os espermatozoides que, agora sim, podem seguir pra porta do útero, o cérvix ou colo uterino.

O colo uterino é a região mais estreita do útero e a sua abertura varia ao longo do ciclo menstrual da mulher, um ciclo que é regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovários.

Nesse eixo, o hipotálamo secreta o GnRH, que estimula a adeno-hipófise a secretar o FSH e o LH que através da circulação sanguínea chegam aos ovários onde podem atuar no desenvolvimento dos folículos ovarianos durante o ciclo menstrual.

No início do ciclo, o padrão de secreção pulsátil do GnRH leva a uma maior secreção de FSH que estimula o desenvolvimento dos folículos recrutados pro ciclo menstrual. Por isso, a primeira fase do ciclo menstrual é a fase folicular. Nessa fase os folículos começam a secretar estrogênios.

Próximo à metade do ciclo, o padrão de secreção do GnRH muda, o que aumenta a secreção de LH a qual é potencializada pelo feedback positivo dos estrogênios sobre a secreção de LH pela adeno-hipófise. Isso aumenta drasticamente a secreção de LH levando ao pico do LH que induz a liberação de um ovócito, um evento que a gente chama de ovulação.

Após esse evento, o que restou do folículo se transforma no corpo lúteo, por isso a segunda fase do ciclo menstrual é a fase lútea. Nessa fase, o corpo lúteo agora passa a secretar mais progesterona. E se o ovócito liberado não for fecundado, o corpo lúteo regride, e a secreção de progesterona e estrogênios cai drasticamente, encerrando o ciclo menstrual.

Mas voltando aqui para o colo uterino, durante o período fértil, isto é, durante o período próximo da ovulação, sob ação dos estrogênios, o colo uterino se encontra mais aberto. Porém, depois do período fértil ou durante a gravidez, sob a ação da progesterona, o colo uterino se encontra mais fechado, pra impedir a entrada de qualquer partícula estranha ou até mesmo de espermatozoides enquanto a mulher não estiver no período fértil ou estiver grávida.

Além disso, no colo uterino, encontramos muitas células mucosas que produzem e secretam o muco cervical cujas propriedades também variam ao longo do ciclo menstrual.

Durante o período fértil, sob ação dos estrogênios, o muco secretado é mais alcalino e mais fluido, o que ajuda a proteger os espermatozoides da acidez da vagina, e ainda facilita o movimento desses espermatozoides em direção ao útero.

Mas depois do período fértil ou durante a gravidez, sob ação da progesterona, o muco secretado se torna menos fluido, mais espesso, funcionando como uma barreira que ajuda a impedir a entrada de qualquer partícula estranha ou até mesmo de espermatozoides enquanto a mulher não estiver no período fértil ou estiver grávida.

Mas como o Flagelinho é um espermatozoide de muita sorte, a mulher aqui tá no período fértil, e o Flagelinho e seus companheiros conseguem passar pelo canal do colo uterino, chegando finalmente à cavidade uterina.

O útero é formado por três camadas de tecido: perimétrio, miométrio e endométrio.

O perimétrio é basicamente a “capinha” de tecido conjuntivo do útero.

Já o miométrio é uma espessa camada de tecido muscular liso que sob certos estímulos pode se contrair.

Por exemplo, as prostaglandinas presentes no sêmen podem estimular a contração uterina e assim ajudar a empurrar os espermatozoides em direção às tubas uterinas. Já durante o parto, a ocitocina (um hormônio secretado pela neuro-hipófise) pode causar fortes contrações uterinas capazes de empurrar o bebê pra fora do útero.

E já que falamos em bebê, lembre-se de que o endométrio é a camada do útero que sofre alterações durante o ciclo menstrual, pois é a camada onde o embrião se implanta pra se desenvolver durante a gravidez.

No final do ciclo menstrual, parte do endométrio descama, sangra e é eliminada marcando o início de um novo ciclo. Essa fase do ciclo uterino é chamada de fase menstrual. Já na fase proliferativa do ciclo uterino, as células que sobram depois da descamação se proliferam pra reconstruir o endométrio com suas artérias espiraladas e suas glândulas, tudo isso estimulado principalmente pelos estrogênios da fase folicular do ciclo ovariano. E na fase secretora, estimulada principalmente pela progesterona, as glândulas do endométrio secretam nutrientes pra que o embrião tenha tudo o que precisa pra sobreviver durante a sua implantação no endométrio.

Mas calma lá, que ainda não temos embrião aqui. O Flagelinho ainda tá na luta. Então usando todos os nutrientes disponíveis no sêmen e na secreção do colo uterino, Flagelinho e seus companheiros vão se movendo usando seus flagelos sem parar, enquanto as contrações uterinas que podem ser provocadas pelas prostaglandinas presentes no sêmen ajudam a empurrar todos os espermatozoides pela cavidade uterina, até chegar nas tubas uterinas.

As tubas uterinas, também conhecidas como trompas de Falópio, apresentam uma fina camada de tecido muscular liso, que também se contrai pra ajudar a empurrar os espermatozoides em direção à parte um pouco mais larga das tubas, a ampola da tuba uterina. É geralmente nesse local que os espermatozoides encontram um ovócito.

Além disso, no epitélio da mucosa das tubas uterinas a gente encontra células ciliadas cujos cílios podem se mover pra ajudar no transporte do ovócito e, caso o ovócito seja fecundado, os cílios ainda podem ajudar no transporte do embrião em direção ao útero onde ele pode se implantar.

Ah... e além das células ciliadas, a gente encontra também células não ciliadas na mucosa das tubas uterinas, chamadas de células intercalares, capazes de secretar nutrientes que podem nutrir os espermatozoides e, principalmente, o embrião que poderá ser gerado na fecundação.

Dito isso, impulsionado pelas contrações das tubas uterinas e, principalmente, pelo batimento do seu flagelo, Flagelinho que por sorte entrou na tuba uterina certa, finalmente encontra um ovócito lindo esperando por ele, a Dona Pelúcida.

Agora, como exatamente o Flagelinho vai fecundar a Dona Pelúcida, a gente deixa pra contar num vídeo mais detalhado sobre a fecundação. Nesse momento, a gente só precisa terminar de revisar as estruturas da genitália interna feminina.

Então lembre-se de que a Dona Pelúcida só conseguiu chegar na ampola da tuba uterina graças ao movimento dos cílios das células ciliadas, e também graças ao movimento de umas estruturas que parecem dedos bem fininhos encontrados bem lá na extremidade da tuba uterina, as fímbrias.

No período fértil, próximo da ovulação, sob ação dos estrogênios, o tecido muscular liso das fímbrias também sofre contrações rítmicas gerando movimentos capazes de meio que “sugar” o ovócito lançado na cavidade pélvica pelo ovário. E é assim que o ovócito vai parar na tuba uterina.

Agora pra finalizar nossa revisão, só falta revisar os ovários.

Então só relembrando, é nos ovários que acontece a produção dos ovócitos, o desenvolvimento dos folículos ovarianos, e a produção e secreção dos estrogênios e da progesterona.

Bom, falando sobre a produção dos ovócitos, lembre-se de que a produção desses gametas é um pouco diferente da produção dos espermatozoides. Os ovócitos são produzidos nos ovários envoltos por um monte de células que formam o que a gente chama de folículo.

Enquanto o desenvolvimento dos ovócitos é chamado de ovogênese, o desenvolvimento dos folículos é chamado de foliculogênese.

Tanto a ovogênese quanto a foliculogênese começam nos ovários das meninas quando elas ainda tão no útero da mãe, ou seja, quando elas ainda são um feto. Nesse período, as ovogônias fazem todas as mitoses programadas e passam pelo processo de diferenciação pra se transformarem em ovócitos primários que são envoltos por células, formando os folículos. Esses ovócitos iniciam a meiose I e ficam travados no meio desse processo de divisão celular durante toda a infância. Muitos milhares desses ovócitos e folículos são perdidos ao longo desse período por um processo natural de degeneração e morte celular chamado de atresia, e a menina chega à puberdade com cerca de 300 a 400 mil ovócitos dentro dos folículos.

Na puberdade, começam os ciclos menstruais e em cada ciclo alguns folículos com seus ovócitos primários em desenvolvimento lento são recrutados pra passar por uma fase de desenvolvimento rápido, até gerar um único folículo maduro próximo da ovulação. Nesse momento, o pico do LH estimula o término da meiose I, gerando um ovócito secundário e uma célula disfuncional, o primeiro corpo polar. O ovócito secundário inicia a meiose II e fica novamente travado no meio desse processo de divisão celular. É esse ovócito secundário que ao ser ovulado pode ser fecundado por um espermatozoide. Se o ovócito secundário for fecundado por um espermatozoide, a meiose II é finalizada, gerando o óvulo cujo material genético vai se unir ao material genético do espermatozoide, e gerando também um segundo corpo polar, que juntamente com o primeiro corpo polar pode ser eliminado.

Então aqui na ovogênese, um ovócito primário só dá origem a um óvulo, diferente do espermatócito primário que dá origem a quatro espermatozoides.

E com isso a gente conclui a revisão da fisiologia do sistema reprodutor feminino. No próximo vídeo a gente começa a falar sobre a fisiologia da reprodução, explicando com mais detalhes a fisiologia do ato sexual, pra depois explicar melhor como ocorre a fecundação, a gestação, o parto, a lactação e o puerpério. Não perca!

Bom então resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se de que:

  • O sistema reprodutor feminino é formado pela genitália externa ou pudendo feminino também chamado de vulva, genitália interna e glândulas mamárias.

  • A vagina é um canal onde os espermatozoides são ejaculados.

  • O colo uterino é a porta de entrada do útero e sua abertura e secreção mucosa variam ao longo do ciclo menstrual.

  • O ciclo menstrual é determinado pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovários. O hipotálamo secreta o GnRH que estimula a secreção do FSH e LH pela adeno-hipófise. Esses hormônios atuam nos ovários estimulando principalmente a foliculogênese e a produção dos estrogênios e progesterona.

  • O útero é formado por três camadas, perimétrio, miométrio e endométrio, sendo esta última camada a camada onde o embrião pode se implantar e por isso o endométrio varia ao longo do ciclo menstrual.

  • As tubas uterinas formam um canal por onde os espermatozoides precisam seguir pra encontrar o ovócito secundário. Portanto, é nas tubas uterinas que geralmente acontece a fecundação.

  • Os ovários são responsáveis pela produção dos ovócitos secundários e pelo desenvolvimento dos folículos, os quais são responsáveis pela produção dos estrogênios e da progesterona.

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A gente se vê num próximo, abraço!

Sobre a autora

Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.

Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.

Foto da autora do post Mirian Ayumi Kurauti criadora do MK Fisiologia
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