
FLUXO SANGUÍNEO PULMONAR
Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "FLUXO SANGUÍNEO PULMONAR".
TRANSCRIÇÕESSISTEMA RESPIRATÓRIO
Mirian Kurauti
6/8/20269 min read
A principal função do sistema respiratório é permitir a troca de gases (oxigênio e dióxido de carbono, ou gás carbônico) entre o ar atmosférico e o sangue. Portanto, pra essa função, não basta ter apenas uma ventilação alveolar adequada, é preciso ter um fluxo sanguíneo adequado nos capilares alveolares pra que as trocas gasosas sejam eficientes. Por isso, nesse vídeo, a gente vai começar a falar sobre o fluxo sanguíneo pulmonar, bora?
E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Eu sou Mirian Kurauti aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações pra você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.
Mas agora, sem mais delongas, bora falar sobre o fluxo sanguíneo pulmonar?
Quando a gente fala em fluxo sanguíneo pulmonar, a gente tá se referindo ao fluxo sanguíneo através da pequena circulação, ou circulação pulmonar.
A circulação pulmonar começa quando o sangue pobre em oxigênio (O₂) chega ao átrio direito e então segue pro ventrículo direito do coração, que, ao se contrair durante a sístole ventricular, ejeta o sangue pobre em oxigênio pro tronco pulmonar, que dá origem às artérias pulmonares, as quais conduzem o sangue pros pulmões.
Essas artérias vão se ramificando, formando arteríolas, que continuam se ramificando, formando vasos cada vez menores que vão irrigando a zona transicional e respiratória das vias aéreas, até formarem, finalmente, os capilares pulmonares, ou capilares alveolares, que formam tipo uma rede que envolve cada um dos alvéolos.
É nesses capilares onde ocorre a maior parte das trocas gasosas entre o ar alveolar e o sangue, que deixa os capilares alveolares rico em oxigênio e pobre em dióxido de carbono (CO₂) ou gás carbônico.
Esse sangue então segue pras vênulas e, finalmente, pras veias pulmonares, que conduzem o sangue de volta pro coração, mas agora pro átrio esquerdo, dando início à grande circulação, ou circulação sistêmica.
Embora a maior parte do sangue que irriga os pulmões venha da circulação pulmonar, uma pequena parte vem da circulação sistêmica. Porém, as artérias, arteríolas e capilares da circulação sistêmica irrigam as zonas condutoras das vias aéreas, fornecendo oxigênio e nutrientes pras células dessas vias.
-Ué, professora, mas e as células da zona transicional e respiratória, que só recebem o sangue pobre em oxigênio? Como que elas conseguem oxigênio e nutrientes pra sobreviver?
Nessas zonas, como a parede das vias aéreas é menos espessa, o oxigênio do próprio ar que passa dentro dessas vias pode se difundir por entre as células da parede dessas vias, enquanto que os nutrientes podem vir do sangue pobre em oxigênio vindo da circulação pulmonar.
Lembre-se: o sangue é pobre em oxigênio, mas não necessariamente em nutrientes.
Portanto, lembre-se: os pulmões recebem sangue tanto da circulação sistêmica como da circulação pulmonar. Mas o sangue que participa das trocas gasosas vem da circulação pulmonar e não da circulação sistêmica. Por isso, é importante entender como o sangue flui através da circulação pulmonar antes de tentar entender como acontecem as trocas gasosas.
Então vamos lá.
Como a gente viu num vídeo anterior, o fluxo sanguíneo através da circulação sistêmica é igual ao débito cardíaco do ventrículo esquerdo, ou seja, em torno de 5 litros/minuto em um indivíduo jovem, saudável, do sexo masculino.
Logo, o fluxo sanguíneo através da circulação pulmonar é igual ao débito cardíaco do ventrículo direito, que, lembre-se, é praticamente o mesmo do ventrículo esquerdo, ou seja, em torno de 5 litros/minuto.
E como a gente viu lá na fisiologia do sistema cardiovascular, se tem fluxo, tem uma diferença, ou melhor, um gradiente de pressão que gera esse fluxo sanguíneo através da circulação sistêmica e pulmonar.
E aí, você pode pensar que: se o fluxo sanguíneo da circulação pulmonar é praticamente igual ao fluxo sanguíneo da circulação sistêmica, então o gradiente de pressão deve ser o mesmo, né?
Só que não.
Dá uma olhada nessa tabela que compara as pressões nas duas circulações.
Na circulação sistêmica, a pressão média na artéria aorta fica em torno de 95 mmHg e no átrio direito em torno de 2 mmHg, uma diferença que gera um gradiente de pressão de 93 mmHg. Já na circulação pulmonar, a pressão média nas artérias pulmonares fica em torno de 15 mmHg e no átrio esquerdo em torno de 8 mmHg, uma diferença que gera um gradiente de pressão de apenas 7 mmHg.
E aí, a gente pode tirar duas conclusões até aqui:
Primeiro, as pressões dentro dos vasos da circulação pulmonar são bem menores do que dentro dos vasos da circulação sistêmica;
E, segundo, embora o fluxo sanguíneo seja praticamente o mesmo (5 litros/minuto) nas duas circulações, o gradiente de pressão que gera o fluxo sanguíneo da circulação pulmonar também é bem menor do que o da circulação sistêmica.
Agora, a partir dessas conclusões, a gente pode fazer duas perguntas:
Primeiro, por que as pressões dentro dos vasos pulmonares são menores do que dentro dos vasos sistêmicos?
E, segundo, como pode as duas circulações terem praticamente um mesmo fluxo sanguíneo se os gradientes de pressão são tão diferentes?
Bom, então, respondendo à primeira pergunta, as baixas pressões da circulação pulmonar podem ser explicadas pelo fato de o ventrículo direito ser menos espesso e desenvolver menos força durante a contração, ou melhor, durante a sístole ventricular, e, principalmente, pelo fato de as artérias e arteríolas da circulação pulmonar terem uma camada de músculo liso bem menos espessa do que as artérias e arteríolas da circulação sistêmica.
Na verdade, as artérias e arteríolas pulmonares se parecem mais com as veias e vênulas sistêmicas, que, lembre-se, têm pouco músculo liso na sua parede e, por isso, podem se distender com mais facilidade, apresentando maior complacência.
Portanto, as artérias e arteríolas pulmonares apresentam maior complacência e podem ser distendidas, esticadas com mais facilidade, como se fosse um elástico mais frouxo, que não aperta tanto, ou seja, não gera tanta pressão dentro dos vasos. Essa baixa pressão da circulação pulmonar tem um impacto direto nas forças de Starling, que determinam a pressão efetiva de filtração nos capilares alveolares.
-Vish, professora, como que era mesmo essa pressão efetiva de filtração?
Calma, vamos lembrar o que a gente viu lá no sistema cardiovascular, quando falamos sobre a microcirculação.
A pressão efetiva de filtração é positiva no início dos capilares sistêmicos, favorecendo a filtração, o extravasamento de líquido, e geralmente é negativa no final desses capilares, favorecendo a reabsorção desse líquido.
Já nos capilares pulmonares ou alveolares, a pressão efetiva de filtração é negativa no início e no final desses capilares por causa da baixa pressão hidrostática dentro dos capilares alveolares, ou seja, não há filtração, não há extravasamento de líquido que poderia se acumular entre os alvéolos e os seus capilares, o que poderia aumentar a distância que os gases precisariam se difundir durante as trocas gasosas. Mas, como isso não acontece em condições fisiológicas, em condições normais, a distância é mínima e as trocas gasosas podem acontecer de maneira eficiente.
-Tá, professora, eu entendi a importância dessa baixa pressão dentro dos vasos pulmonares, mas o que eu queria saber mesmo é como que um gradiente de pressão tão baixo na circulação pulmonar consegue manter praticamente o mesmo fluxo sanguíneo da circulação sistêmica?
Pra responder essa pergunta, a gente precisa lembrar que o fluxo sanguíneo é determinado não apenas pelo gradiente de pressão, mas também pela resistência ao fluxo. Então, se o gradiente de pressão é pequeno, pra eu ter um fluxo grande, eu preciso ter uma resistência pequena o suficiente pra compensar o menor gradiente de pressão.
E, de fato, a resistência ao fluxo sanguíneo nos vasos pulmonares é bem menor do que nos vasos sistêmicos. Mas por quê?
Lembre-se da lei de Poiseuille, dos fatores que determinam a resistência dentro dos vasos sanguíneos. O comprimento dos vasos pulmonares é bem menor que o comprimento dos vasos sistêmicos, afinal de contas, esses vasos só irrigam os pulmões e não o corpo inteiro. E mais, o raio dos vasos pulmonares é maior do que o raio dos vasos sistêmicos, pois os vasos pulmonares têm maior complacência, se distendem mais facilmente, mantendo um raio relativamente maior.
Além disso, o grande número de capilares alveolares também contribui com essa baixa resistência ao fluxo sanguíneo na circulação pulmonar.
Lembre-se: na circulação pulmonar, as arteríolas se ramificam em bilhões de capilares alveolares, e todos esses vasos em paralelo diminuem muito a resistência total, como a gente já explicou num vídeo anterior.
E aí, só pra você ter uma ideia, estima-se que as arteríolas pulmonares se ramificam em aproximadamente 280 bilhões de capilares alveolares, ou seja, são muitos vasos em paralelo que contribuem pra baixa resistência total nesses vasos.
Bom, então, resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:
O fluxo sanguíneo na circulação pulmonar é praticamente igual ao fluxo sanguíneo da circulação sistêmica.
A pressão dentro dos vasos pulmonares é bem menor que a pressão dentro dos vasos sistêmicos, assim como o gradiente de pressão ao longo da circulação pulmonar é bem menor que o gradiente de pressão ao longo da circulação sistêmica.
Pra manter um fluxo sanguíneo relativamente alto em baixas pressões, os vasos da circulação pulmonar apresentam uma resistência bem menor do que a resistência dos vasos da circulação sistêmica.
E, pra finalizar, é importante destacar que, assim como a resistência dos vasos da circulação sistêmica não é fixa, a resistência dos vasos da circulação pulmonar também não é fixa, pode variar, mas os fatores que fazem essa resistência variar são diferentes dos fatores que fazem a resistência dos vasos da circulação sistêmica variar.
No próximo vídeo, a gente fala mais sobre os fatores que podem alterar a resistência dos vasos da circulação pulmonar, não perca!
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E, como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?
A gente se vê num próximo vídeo, abraço!


Sobre a autora
Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.
Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.



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