QUARTA À OITAVA SEMANA de DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO

Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "REVISÃO: QUARTA À OITAVA SEMANA de DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO ".

TRANSCRIÇÕESFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO

Mirian Kurauti

10/5/202610 min read

E aí pessoal, tudo bem com vocês?

Seguindo a nossa revisão sobre o desenvolvimento embrionário, nesse vídeo a gente vai revisar a quarta, quinta, sexta, sétima e oitava semanas para fechar o desenvolvimento embrionário. Bora?

Então, sem enrolação, como vimos no vídeo anterior, a neurulação, um processo responsável pelo desenvolvimento do sistema nervoso central, se inicia durante a terceira semana de desenvolvimento com a formação da placa neural, com seu sulco neural e pregas neurais, as quais, já no finalzinho da terceira semana, estão prestes a se fundir para iniciar a formação do tubo neural.

No início da quarta semana de desenvolvimento, no vigésimo segundo dia após a fecundação, as pregas neurais já começaram a se fundir, formando o tubo neural.

A fusão das pregas neurais começa na região cervical do embrião, isto é, na futura região do pescoço do embrião, e vai se fundindo tanto na direção da extremidade cefálica quanto em direção à extremidade caudal, como se fosse um zíper que se fecha nas duas direções.

O tubo neural tende a se fechar primeiro na extremidade cefálica, fechando o neuróporo anterior, que nada mais é do que uma abertura que existe na região da cabeça enquanto as pregas neurais dessa região não se fundem. Logo em seguida, a abertura na região da cauda, o neuróporo posterior, também é fechado pela fusão das pregas neurais por volta do vigésimo oitavo dia após a fecundação, ou seja, no final da quarta semana.

Ao mesmo tempo que o tubo neural vai se formando ao longo da quarta semana, outras estruturas vão se formando no embrião, como a crista neural, formada por células das pregas neurais que migram quando essas pregas se fundem.

Essas células se dividem em dois grupos de células: um grupo migra à direita e o outro grupo migra à esquerda do tubo neural. Essas células da crista neural vão dar origem a várias estruturas específicas do embrião, como, por exemplo, os gânglios do sistema nervoso periférico e do sistema nervoso autônomo, a parte mais interna, a medula das glândulas suprarrenais também chamadas de adrenais, além de várias outras estruturas como ossos, cartilagens, músculos e a derme da pele de algumas regiões específicas do embrião.

E enquanto tudo isso acontece, mais pares de somitos vão surgindo a partir do mesoderma paraxial, como a gente explicou no vídeo anterior, ao lado da notocorda e abaixo do ectoderma, como um par de massas de células ao longo de quase toda a extensão do embrião, de modo que, ao final da quarta semana, o embrião apresenta cerca de 30 pares de somitos, que continuam aparecendo ao longo da quinta semana, chegando em torno de 42 a 44 pares de somitos, dos quais os mais próximos da cauda depois regridem, sobrando cerca de 35 a 37 pares de somitos.

Os somitos se diferenciam em três camadas de células: esclerótomo, que dá origem aos ossos e cartilagens das vértebras e das costelas; dermátomo, que dá origem à derme da pele do tronco; e miótomo, que dá origem aos músculos do tronco, dos braços e das pernas.

Agora, uma coisa que a gente ainda não explicou é: como que o embrião sai de um disco embrionário trilaminar praticamente plano no início da quarta semana, e chega a uma estrutura tridimensional no final da quarta semana?

A resposta para essa pergunta está em um evento muito importante que acontece na quarta semana que a gente chama de dobramento.

O dobramento do disco embrionário trilaminar acontece tanto na extremidade cefálica e caudal, formando as dobras cefálica e caudal que a gente consegue observar melhor no corte sagital do embrião, como também nas extremidades laterais, formando as dobras laterais que a gente consegue observar melhor no corte transversal do embrião.

Durante a quarta semana, ocorre um rápido crescimento do tubo neural, e é esse rápido crescimento que causa o dobramento das extremidades cefálica e caudal. O dobramento da extremidade cefálica traz o coração em desenvolvimento e a futura boca — o estomodeu, coberto pela membrana orofaríngea — para os seus devidos lugares no tórax e na face do embrião. E o dobramento da extremidade caudal traz o futuro ânus — o proctodeu, coberto pela membrana cloacal — para a região pélvica, enquanto o pedículo de conexão, junto com o alantoide (uma pequena saliência da vesícula umbilical), é trazido para o ventre, para a barriga do embrião, para iniciar a formação do cordão umbilical.

Além disso, o rápido crescimento do mesoderma para as extremidades laterais causa o dobramento dessas extremidades. Nesse dobramento, é como se as extremidades laterais abraçassem tudo que está entre elas, incluindo um espaço chamado celoma intraembrionário, e uma parte do endoderma da vesícula umbilical acaba ficando presa dentro do embrião, dando origem a uma parte importante do futuro tubo digestório, especialmente o intestino médio, quando as extremidades terminam de abraçar tudo e se fundem, formando agora uma estrutura tridimensional envolta pela cavidade amniótica.

E enquanto tudo isso acontece, enquanto o embrião se dobra, os somitos e o tubo neural se desenvolvem, outras estruturas se desenvolvem e algumas delas são visíveis na superfície externa do embrião ao final da quarta semana, como, por exemplo, o placódio ótico e o placódio do cristalino, os primórdios do ouvido interno e do cristalino, a lente do olho; os brotos dos membros, primeiro dos membros superiores e depois dos membros inferiores; além dos arcos faríngeos, estruturas na região da futura face e pescoço que vão dar origem a algumas estruturas específicas da face e do pescoço do embrião.

Além disso, na região do tórax, a protuberância ou saliência cardíaca se torna bem evidente no final da quarta semana, graças ao crescimento do tubo cardíaco que se dobra para formar o primórdio do coração, que se conecta com os vasos sanguíneos recém-formados, estabelecendo assim uma circulação sanguínea funcional que faz o sangue circular pela vesícula umbilical e pela placenta em desenvolvimento para pegar nutrientes e oxigênio, e distribuir esses nutrientes e oxigênio pelo embrião em desenvolvimento.

E é assim, com o sistema cardiovascular sendo o primeiro sistema a se tornar funcional, que se encerra a quarta semana de desenvolvimento.

Durante o período entre a quinta e a oitava semanas de desenvolvimento, a maioria dos órgãos são formados e a organogênese é finalizada. Além disso, durante esse período o embrião deixa de ser apenas uma estrutura tridimensional simples e adquire um aspecto visivelmente mais humano.

Então, de forma bem resumida, durante a quinta semana, a cabeça do embrião cresce rapidamente de maneira desproporcional ao restante do corpo. A cabeça fica tão grande que encosta na proeminência ou saliência cardíaca, dobrando ainda mais o embrião.

Esse crescimento desproporcional da cabeça acontece devido ao rápido crescimento da dilatação do tubo neural, ou melhor, da vesícula encefálica, que agora se divide em cinco vesículas: telencéfalo, diencéfalo, mesencéfalo, metencéfalo e mielencéfalo.

Na face do embrião, além do primórdio do cristalino, a gente observa agora o primórdio da cavidade nasal. E no restante do corpo, os brotos dos membros superiores e inferiores continuam se desenvolvendo. Nessa semana, os membros superiores tomam a forma de duas “pás” ou dois “remos”, e os membros inferiores começam a tomar a forma de nadadeiras.

Internamente, todos os sistemas (nervoso, cardiovascular, respiratório, digestório, etc.) já começaram o seu desenvolvimento.

Durante a sexta semana de desenvolvimento, na face do embrião, as estruturas do nariz e do olho continuam se desenvolvendo, e aparecem também as protuberâncias auriculares, os primórdios da aurícula do ouvido externo, ou pavilhão auricular, que é essa parte aqui, ó, do ouvido externo.

Nos membros superiores, a região do cotovelo se torna visível e surgem as placas das mãos com seus raios digitais, que são basicamente os primórdios dos dedos. O surgimento dos raios digitais nas placas dos pés acontece alguns dias depois do surgimento dos raios digitais das placas das mãos.

No interior do embrião, o desenvolvimento dos sistemas continua a todo vapor, e o embrião começa a apresentar os seus primeiros movimentos espontâneos bem sutis, como pequenas contrações na musculatura do tronco.

Durante a sétima semana de desenvolvimento, nas placas das mãos, os dedos finalmente começam a surgir. E a mesma coisa acontece nas placas dos pés alguns dias depois.

Na face, as estruturas do olho, do nariz, do ouvido externo e da boca continuam se desenvolvendo; e no corpo, o tronco se alonga e vai ficando cada vez mais ereto.

Internamente, o esqueleto, que antes era só cartilagem, começa a sua ossificação, principalmente nos ossos longos dos membros superiores.

E enquanto tudo isso acontece, os demais sistemas continuam o seu complexo desenvolvimento.

Agora, finalizando o desenvolvimento embrionário, durante a oitava semana, o embrião adquire finalmente um aspecto mais humano.

Nos membros, ocorre a apoptose — a morte celular programada — no tecido que fica entre os raios digitais. É isso que permite que os dedos das mãos e dos pés se separem e se tornem individualizados, restando apenas pequenas membranas na base.

Na cabeça, observa-se o plexo vascular do couro cabeludo, que se desenvolve para suprir as necessidades de nutrientes e oxigênio dessa região, que ainda corresponde a praticamente metade do tamanho do embrião, ou seja, o embrião ainda é bem cabeçudo.

Na face, as pálpebras já estão bem desenvolvidas e começam a se fundir para fechar os olhos, os quais permanecerão fechados por um tempo. Ao final da oitava semana, o nariz já está a caminho do seu formato final e a aurícula do ouvido externo já adquire o seu formato característico.

Ainda durante a oitava semana, o tronco se torna ainda mais ereto e a cauda, ou eminência caudal, finalmente desaparece. A genitália externa começa a se diferenciar de acordo com o sexo definido pelos cromossomos sexuais, mas ainda não é possível distinguir a genitália externa pela ultrassonografia. Ou seja, não dá para saber o sexo do embrião por esse método ainda.

Internamente, ao final da oitava semana, o coração já está dividido em quatro câmaras, dois átrios e dois ventrículos, e praticamente todos os órgãos e sistemas já estão definidos, e a partir de agora eles precisam crescer e amadurecer. E é isso que vai acontecer a partir da nona semana, em que o embrião finalmente passa a ser chamado de feto, dando início ao desenvolvimento fetal que a gente vai revisar no próximo vídeo, não perca!

Bom, então resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se de que:

  • A quarta semana é marcada pela finalização da neurulação, com o fechamento do tubo neural e surgimento da crista neural. É também na quarta semana que ocorrem os dobramentos do embrião, que transformam o disco plano em um corpo tridimensional, trazendo o futuro coração e a futura boca para os seus devidos lugares. Além disso, o tubo cardíaco começa a se dobrar e se conecta aos vasos sanguíneos, iniciando uma circulação funcional.

  • Entre a quinta e a oitava semanas, a organogênese é finalizada. Na quinta semana, a cabeça cresce desproporcionalmente com a divisão das vesículas encefálicas, e os membros ganham o formato de remos e nadadeiras. Na sexta semana, surgem os raios digitais nas placas das mãos e dos pés, as protuberâncias auriculares e os primeiros movimentos espontâneos sutis. Na sétima semana, inicia-se a ossificação dos ossos longos e a separação dos dedos por apoptose. E, por fim, na oitava semana, a cauda desaparece, os dedos das mãos e dos pés se separam completamente, surge o plexo vascular do couro cabeludo, o coração conclui a divisão nas suas quatro câmaras e o embrião ganha um aspecto visivelmente humano.

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A gente se vê em um próximo, abraço!

Sobre a autora

Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.

Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.

Foto da autora do post Mirian Ayumi Kurauti criadora do MK Fisiologia
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