REVISÃO: Fisiologia do Sistema Reprodutor Masculino

Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "REVISÃO: Fisiologia do Sistema Reprodutor Masculino".

TRANSCRIÇÕESFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO

Mirian Kurauti

8/3/202610 min read

Bora revisar a fisiologia do sistema reprodutor masculino de um jeito diferente? Nesse vídeo, a gente vai acompanhar a jornada do Flagelinho, um espermatozoide rumo à sua missão de vida: fecundar um ovócito.

E aí pessoal, tudo bem com vocês?

Pra quem ainda não me conhece, eu sou Mirian Kurauti, professora, mestre e doutora em fisiologia pela UNICAMP, e criadora aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal aí e ative as notificações pra você não perder nenhuma videoaula que a gente prepara sempre com muito empenho por aqui.

Agora sem mais delongas, bora acompanhar o Flagelinho na sua jornada rumo à fecundação de um ovócito?

Bom, então vamos lá. A história do Flagelinho começa em um dos testículos.

E só lembrando, os testículos fazem parte da genitália interna do sistema reprodutor masculino juntamente com os epidídimos, ductos deferentes, vesículas seminais, ducto ejaculatório, próstata, glândulas bulbouretrais e uretra. Já a genitália externa do sistema reprodutor masculino é formada basicamente pelo escroto e pelo pênis.

A função de cada uma dessas estruturas a gente vai relembrando conforme elas forem aparecendo na história do Flagelinho, beleza?

Então, como a história começa nos testículos, lembre-se que esses órgãos ficam localizados fora da cavidade pélvica, dentro do escroto (ou saco escrotal) que é basicamente uma bolsa de pele, um saco de pele, que armazena os testículos. Essa localização dos testículos fora da cavidade pélvica é necessária pra manter a temperatura dos testículos cerca de 2°C abaixo da temperatura corporal, ou seja, cerca de 35°C, pois é essa a temperatura ideal pra produção de espermatozoide que é uma das principais funções dos testículos.

Pra revisar essa e outras funções dos testículos, meninos, não se assustem, vamos cortar um pedaço aqui do testículo pra ver o que tem dentro desse órgão.

Então olhem só, aqui a gente tem vários lóbulos e dentro de cada lóbulo tem um emaranhado de túbulos chamados de túbulos seminíferos que aqui nessa imagem tá parecendo mais um miojo, né?

Mas enfim, vamos agora pegar uma fatia de um túbulo seminífero e colocar no microscópio pra ver tudo mais de perto. Percebam que ao redor dos túbulos seminíferos, ou seja, fora desses túbulos, encontramos as células intersticiais ou células de Leydig, que na verdade se pronuncia “Lái-dig” porque é um sobrenome alemão. Mas como a gente tá no Brasil, acho que a gente pode falar células de Leydig mesmo.

Essas células produzem e secretam a testosterona que pode se difundir pra um capilar sanguíneo próximo e entrar na corrente sanguínea ou pode se difundir pra dentro do túbulo seminífero onde a gente tem as células de Sertoli que produzem e secretam moléculas necessárias para a espermatogênese, ou seja, para a produção de espermatozoides, como por exemplo a proteína de ligação a androgênios (ABP), uma proteína que se liga à testosterona e mantém os níveis desse hormônio mais elevados dentro dos túbulos seminíferos.

Além disso, as células de Sertoli atuam como células de sustentação pras células germinativas que dão origem aos espermatozoides e ainda formam uma barreira que evita a passagem de partículas estranhas do sangue pro interior dos túbulos seminíferos, a barreira hematotesticular, formada graças à presença de junções oclusivas entre as células de Sertoli.

Ah... e só lembrando, tanto a função das células de Leydig quanto a função das células de Sertoli dependem da secreção dos hormônios do eixo hipotálamo-hipófise-testículos.

Nesse eixo, o hipotálamo secreta o GnRH, que estimula a adeno-hipófise a secretar o LH e o FSH que, através da circulação sanguínea, chegam nos testículos. Enquanto o LH estimula a secreção de testosterona nas células de Leydig, o FSH age principalmente nas células de Sertoli, estimulando assim a produção de espermatozoides, ou melhor, a espermatogênese.

A espermatogênese, que só começa quando o menino entra na puberdade, acontece quando uma espermatogônia decide fazer a sua última mitose pra então se diferenciar em espermatócitos primários que agora podem fazer uma meiose, pra gerar no final quatro espermátides com 23 cromossomos cada, as quais podem então se diferenciar em quatro espermatozoides, sendo um desses espermatozoides o nosso Flagelinho, que começa agora a sua jornada rumo à fecundação de um ovócito.

Porém, assim como qualquer guerreiro, Flagelinho não nasce pronto pra sua missão, embora a sua estrutura já se pareça com a de um espermatozoide maduro (com cabeça contendo o núcleo e o acrossomo, peça intermediária contendo muitas mitocôndrias, e cauda contendo o flagelo), Flagelinho ainda nem consegue usar esse flagelo pra se mover sozinho. Por isso, antes de partir para sua missão, ele passa pela rede do testículo pra chegar no epidídimo.

No epidídimo os espermatozoides passam por pequenos ductos chamados de dúctulos eferentes que vão se fundindo pra formar um único ducto no final, o ducto do epidídimo, o qual vai ficando cada vez mais espesso dando origem ao ducto deferente. No epidídimo, Flagelinho passa por um processo de maturação, que dura em torno de 14 dias. Nesse processo, ele desenvolve a capacidade de se mover sozinho usando o seu flagelo, e agora sim, com motilidade, Flagelinho tá pronto pra partir pra sua missão.

Mas enquanto a missão não começa, Flagelinho e outros milhares de espermatozoides podem ficar armazenados no epidídimo por algumas semanas. Depois desse período, se eles não forem ejaculados, eles podem ser reabsorvidos pelo ducto do epidídimo pra meio que renovar os espermatozoides armazenados, pois todos os dias novos espermatozoides são produzidos.

Mas Flagelinho deu muita sorte. E alguns dias depois de espera...

Nesse momento, o ato sexual se inicia primeiro com as fases de desejo e excitação e em seguida com a fase de orgasmo em que acontece a ejaculação. É principalmente nessa fase que as células musculares lisas presentes na parede do ducto do epidídimo, onde o Flagelinho tava esperando, começam a se contrair e essa contração vai empurrando o Flagelinho e outros milhares de espermatozoides em direção ao ducto deferente, o qual também tem células musculares lisas na sua parede e que também começam a se contrair pra continuar empurrando os espermatozoides em direção ao ducto ejaculatório.

Nesse ducto, os espermatozoides se juntam à secreção da vesícula seminal que, assim como o testículo, o epidídimo e o ducto deferente, não é uma estrutura única, é uma estrutura par, tem a vesícula direita e tem a esquerda.

A vesícula seminal é uma das glândulas acessórias do sistema reprodutor masculino, e tem a função de produzir e secretar o líquido seminal, um líquido mais básico, mais alcalino que ajuda a neutralizar a acidez do restante do caminho dos espermatozoides desde a uretra masculina até a vagina da mulher.

Além disso, o líquido seminal contém:

  • frutose, um carboidrato que pode ser utilizado pelos espermatozoides pra produzir ATP;

  • prostaglandinas, moléculas sinalizadoras que ajudam os espermatozoides a se manterem viáveis e com motilidade pra conseguir fecundar um ovócito;

  • e proteínas de coagulação, que não são as mesmas do sangue, mas que fazem o líquido seminal coagular, ficar mais espesso, após a ejaculação.

Então, agora no ducto ejaculatório, Flagelinho e seus companheiros são banhados por esse líquido que chega com uma certa pressão que ajuda a empurrar tudo pra uretra.

Mas observem aqui que tanto o ducto ejaculatório quanto a primeira parte da uretra passam no meio da segunda glândula acessória do sistema reprodutor masculino, a próstata.

A próstata, diferente de todas as estruturas pares já citadas, é uma estrutura única e tem a função de produzir e secretar o líquido prostático, um líquido levemente ácido, pois contém ácido cítrico, que é fundamental pra produção de ATP através do ciclo do ácido cítrico, mais conhecido como ciclo de Krebs.

Porém, como a quantidade de líquido seminal alcalino é muito maior que a quantidade de líquido prostático levemente ácido, o líquido resultante continua mais alcalino pra neutralizar o ambiente ácido da uretra masculina e da vagina da mulher, protegendo assim os espermatozoides.

Ah... e falando em proteção, o líquido prostático também contém a seminalplasmina, uma molécula que atua como um antibiótico capaz de eliminar bactérias presentes na uretra masculina e na vagina da mulher, além de conter também várias enzimas (como o PSA, sigla do inglês pra antígeno prostático específico) que podem degradar os coágulos formados pelas proteínas de coagulação da vesícula seminal após a ejaculação, pra deixar então tudo mais fluido e assim ajudar os espermatozoides a seguirem o seu caminho dentro do trato genital feminino.

Então agora já na uretra, Flagelinho e seus companheiros são banhados pelo líquido prostático que chega com uma certa pressão que também ajuda a empurrar tudo pela uretra rumo à saída.

Mas antes de sair, antes de ser ejaculado, Flagelinho ainda se depara com mais uma secreção, agora da terceira glândula acessória do sistema reprodutor masculino, a glândula bulbouretral, que assim como a vesícula seminal é uma glândula par, tem a glândula direita e esquerda.

Essas glândulas jogam sua secreção já mais perto do final da uretra, e na verdade a sua secreção é produzida e secretada antes da ejaculação, durante a fase de excitação. Essa secreção é mais alcalina pra neutralizar o ácido da uretra e contém muco pra lubrificar o interior da uretra, diminuir o atrito que pode danificar os espermatozoides durante a ejaculação, e também pra lubrificar a pontinha do pênis que a gente chama de glande.

Portanto, as gotinhas de líquido que saem pela uretra durante a fase de excitação antes da ejaculação, é o líquido secretado pelas glândulas bulbouretrais, e não contém espermatozoide.

Mas durante a ejaculação, espermatozoides, líquido seminal, líquido prostático e a secreção das glândulas bulbouretrais se misturam pra formar o sêmen na uretra que finalmente é ejaculado pelo pênis, órgão da genitália externa cuja função é introduzir o sêmen no interior da vagina.

Pra isso, o pênis é constituído por tecidos eréteis, os corpos cavernosos e o corpo esponjoso, que podem se encher de sangue e fazer o órgão aumentar de tamanho e enrijecer durante a fase da excitação, promovendo a ereção, que possibilita a introdução do órgão na vagina durante o ato sexual.

Os mecanismos da fase de desejo, excitação, da fase de orgasmo e outras fases do ato sexual, a gente deixa pra explicar de forma mais detalhada num outro vídeo.

Por enquanto, a gente encerra a nossa revisão sobre a fisiologia do sistema reprodutor masculino e, no próximo vídeo, a gente continua com a jornada do Flagelinho dentro da vagina rumo à fecundação de um ovócito, pra revisar a fisiologia do sistema reprodutor feminino, não perca!

Bom então resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:

  • O sistema reprodutor masculino é formado pelas genitálias internas (testículos, epidídimos, ductos deferentes, vesículas seminais, ductos ejaculatórios, próstata, glândulas bulbouretrais e uretra); e genitálias externas (escroto e pênis).

  • O escroto acomoda os testículos fora da cavidade pélvica, e isso é importante para uma das principais funções desse órgão: a produção de espermatozoide.

  • Além de produzir espermatozoide os testículos também produzem e secretam a testosterona, que dentre outras funções, é necessária para a produção de espermatozoides.

  • O epidídimo é o local de maturação e armazenamento dos espermatozoides que, uma vez prontos, podem ser transportados através do ducto deferente até o ducto ejaculatório.

  • No ducto ejaculatório, a vesícula seminal secreta o líquido seminal, que se mistura aos espermatozoides e segue para a uretra.

  • Na uretra, os espermatozoides junto com o líquido seminal, se juntam ao líquido prostático e à secreção das glândulas bulbouretrais para finalmente formar o sêmen que pode ser ejaculado pelo pênis diretamente dentro da vagina.

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E como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?

A gente se vê num próximo, abraço!

Sobre a autora

Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.

Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.

Foto da autora do post Mirian Ayumi Kurauti criadora do MK Fisiologia
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