
RESISTÊNCIA TOTAL dos vasos sanguíneos
Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "O que é HIPEREMIA? Hiperemia FUNCIONAL/ATIVA vs Hiperemia REATIVA".
TRANSCRIÇÕESSISTEMA CARDIOVASCULAR
Mirian Kurauti
7/27/20265 min read
Num vídeo anterior, a gente viu que, mesmo com um raio bem pequeno, os capilares sanguíneos apresentam a menor resistência ao fluxo sanguíneo dentre os vasos do sistema vascular. Mas por que os capilares apresentam a menor resistência ao fluxo sanguíneo? A resposta pra essa pergunta tá no tema desse vídeo: resistência total dos vasos sanguíneos.
E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Eu sou Mirian Kurauti aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações pra você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.
Mas agora, sem mais delongas, por que os capilares sanguíneos apresentam a menor resistência ao fluxo sanguíneo?
Pra responder essa pergunta, a gente precisa voltar lá na física e lembrar que a resistência total ao fluxo de um fluido dentro de um sistema de tubos pode ser calculada da mesma forma que a gente calcula a resistência total a uma corrente elétrica dentro de um circuito elétrico.
Portanto, se eu quiser calcular a resistência total ao fluxo sanguíneo dentro de todo o sistema vascular, eu só preciso somar a resistência das artérias, das arteríolas, dos capilares, das vênulas e das veias, pois esses vasos tão dispostos em série dentro do sistema vascular, isto é, o sangue primeiro passa pelas artérias, depois pelas arteríolas, depois pelos capilares, depois pelas vênulas e depois pelas veias.
Lembre-se: quando as resistências tão em série, uma depois da outra, a gente soma cada resistência pra calcular a resistência total.
Agora, se eu quiser calcular a resistência total ao fluxo sanguíneo dentro de cada tipo de vaso sanguíneo, isto é, a resistência total de todas as artérias, de todas as arteríolas, de todos os capilares, de todas as vênulas e de todas as veias, a gente vai usar a seguinte equação:
1/RT = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3 + ...
1 sobre a resistência total é igual à soma de 1 sobre a resistência de cada artéria (resistência da artéria 1, 2, 3...), ou de cada arteríola (resistência da arteríola 1, 2, 3...), ou de cada capilar (resistência do capilar 1, 2, 3...), e assim por diante. Isso porque cada artéria tá disposta em paralelo às demais artérias, assim como cada arteríola tá disposta em paralelo às demais arteríolas e assim por diante.
Pensa comigo: se uma artéria se divide, ou melhor, se ramifica, formando, sei lá, quatro arteríolas, o fluxo sanguíneo dessa artéria também se divide em quatro, e cada parte desse fluxo flui através dessas vias paralelas ao mesmo tempo. Ou seja, a resistência de cada arteríola não tá em série, tá em paralelo, e por isso a gente usa a equação pra calcular a resistência total de um circuito elétrico em paralelo.
Agora presta atenção aqui.
Sabendo que as arteríolas, no geral, apresentam a mesma estrutura, a resistência de cada arteríola pode ser considerada a mesma. A resistência da arteríola A é igual à da arteríola B, que é igual à da arteríola C, que é igual à da arteríola D.
Logo, nessa soma de frações, o número de baixo, isto é, o denominador, é igual, e, de acordo com a regra da matemática, quando a gente soma frações com o mesmo denominador, a gente só mantém o denominador e soma os números de cima, isto é, soma os numeradores.
Portanto, 1 sobre a resistência total é igual a 4 sobre a resistência individual de cada arteríola ou, invertendo os dois lados da igualdade, a resistência total é igual à resistência individual de cada arteríola dividida por 4, nesse exemplo.
1/RT = 1/RA + 1/RB + 1/RC + 1/RD
1/RT = 4/R
RT = R/4
Mas aí eu pergunto: e se as artérias se ramificassem em 1000 arteríolas?
Bom, aí, nesse caso, a resistência total seria a resistência individual de cada arteríola dividida por 1000, ou seja, quanto mais ramificações, quanto mais vasos paralelos, menor vai ser a resistência total desses vasos.
Mas, se pensar matematicamente tá difícil pra você, você pode pensar de outra forma.
Imagine que você tá dentro de um carro, no horário de pico, em uma rua muito movimentada.
Se só tiver essa rua pra todos os carros passarem, o trânsito vai ser muito lento, porque a “resistência” vai ser grande.
Mas e se tiver mais uma rua paralela que leva pra mesma avenida? O fluxo de carros pode se dividir por essas duas ruas paralelas, e o trânsito pode fluir com mais facilidade, porque a “resistência” agora vai ser menor. E quanto mais ruas paralelas, mais o fluxo de carros pode ser dividido, diminuindo ainda mais a “resistência”.
Mas agora, vamos imaginar uma situação um pouquinho diferente.
Aqui nesse caminho eu tenho duas ruas paralelas largas que passam dois carros ao mesmo tempo. E aqui, nesse outro caminho, eu tenho cinco ruas paralelas estreitas que só passam um carro ao mesmo tempo em cada rua. Qual caminho você acha que o trânsito pode fluir melhor?
Exatamente, o caminho com mais ruas paralelas. Mesmo que essas ruas sejam mais estreitas, mesmo que essas ruas apresentem uma maior “resistência” individual. Isso porque aqui dá pra passar cinco carros ao mesmo tempo, enquanto no outro caminho só dá pra passar quatro carros ao mesmo tempo.
E é exatamente isso que explica por que os capilares apresentam a menor resistência total dentre todos os tipos de vasos sanguíneos, mesmo que, individualmente, a sua resistência seja maior por conta do seu pequeno raio, porque tem tantos capilares, mas tantos capilares, que a resistência individual é dividida por um número muito, muito grande, resultando, consequentemente, em uma resistência total muito, muito menor.
Pronto, conseguiu entender por que os capilares apresentam a menor resistência total do sistema vascular?
Bom, espero que esse vídeo tenha te ajudado de alguma forma, e, se ele te ajudou, não esquece de curtir e compartilhar esse vídeo com aquele seu amigo que também tá precisando estudar esse conteúdo.
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E, como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?
A gente se vê num próximo vídeo, abraço!


Sobre a autora
Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.
Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.



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