
O que é HIPEREMIA? Hiperemia FUNCIONAL/ATIVA vs Hiperemia REATIVA
Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "O que é HIPEREMIA? Hiperemia FUNCIONAL/ATIVA vs Hiperemia REATIVA".
TRANSCRIÇÕESSISTEMA CARDIOVASCULAR
Mirian Kurauti
5/3/20267 min read
E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Eu sou Mirian Kurauti aqui do canal MK Fisiologia e nesse vídeo a gente vai explicar o que é hiperemia funcional ou ativa e hiperemia reativa, bora?
Então sem enrolação, lembre-se que “hiper” vem do grego “hyper” mesmo e significa excesso ou aumento;
e “emia” vem do grego “haima” que significa sangue, ou seja, hiperemia nada mais é do que um excesso ou aumento de sangue, ou melhor, um excesso ou aumento do fluxo sanguíneo em um determinado tecido do organismo.
Então qualquer aumento do fluxo sanguíneo em qualquer tecido, independente da causa desse aumento do fluxo, a gente pode chamar de hiperemia.
Se a hiperemia for causada por alguma infecção ou lesão que pode causar uma inflamação em um determinado tecido, a hiperemia é patológica.
Por exemplo, se você já teve uma espinha na vida, você provavelmente notou como ela fica bem vermelha, né?
Isso porque o fluxo sanguíneo local aumenta por causa da inflamação, assim como acontece quando você faz um corte na sua pele. Ao redor desse corte, a pele fica mais avermelhada porque também acontece um aumento do fluxo sanguíneo por causa de fatores inflamatórios liberados no local, causando assim uma hiperemia.
A hiperemia patológica você vê com mais detalhes na patologia; aqui na fisiologia a gente fala mais sobre a hiperemia fisiológica.
-Tá, professora, mas o que seria essa hiperemia fisiológica?
De maneira simplificada, a hiperemia fisiológica é a hiperemia que acontece no dia a dia, que não tá relacionada diretamente com um processo inflamatório.
Por exemplo, quando o dia tá muito quente, nossa pele fica mais avermelhada, né?
Isso porque o fluxo sanguíneo da pele aumenta, o que é muito importante pro controle da temperatura corporal, pois esse aumento do fluxo sanguíneo mais na superfície do corpo ajuda o organismo a perder calor, evitando assim um superaquecimento.
E quando a gente fica constrangido, com vergonha, a gente também pode ficar com a pele mais corada, mais avermelhada, por causa do aumento do fluxo sanguíneo em determinados locais da nossa pele, como no nosso rosto, e esse aumento do fluxo sanguíneo localizado é mais um exemplo de hiperemia fisiológica.
Mas, além desses tipos de hiperemia fisiológica que dependem do controle extrínseco do fluxo sanguíneo, a gente tem também a hiperemia funcional ou ativa e a hiperemia reativa, que dependem não do controle extrínseco, mas sim do controle intrínseco ou local do fluxo sanguíneo.
Então, só refrescando a sua memória, quando as células de um tecido aumentam a sua atividade metabólica, geram-se fatores metabólicos que atuam como fatores locais que relaxam a musculatura lisa das arteríolas, ou seja, dilatam as arteríolas e aumentam o fluxo sanguíneo pra suprir as necessidades fisiológicas do tecido que tá com alta demanda metabólica, pois ele tá com a sua atividade aumentada, ou melhor, com a sua função aumentada. E é por isso que esse tipo de hiperemia, que acontece devido a um aumento da função ou atividade de um tecido, é chamado de hiperemia funcional ou ativa.
Um exemplo de hiperemia funcional ou ativa acontece nos músculos esqueléticos quando esses músculos começam a se contrair durante um exercício físico. O aumento da atividade metabólica desses músculos gera fatores locais, como a gente explicou em um vídeo anterior, que provocam a dilatação das arteríolas, aumentando assim o fluxo sanguíneo nos músculos em atividade.
Outro exemplo de hiperemia ativa acontece no nosso intestino depois de uma refeição. Quando o alimento chega no intestino, as células desse órgão precisam absorver muitos nutrientes rapidamente, e a atividade metabólica dessas células aumenta, gerando fatores locais que, adivinha? Provocam a dilatação das arteríolas, aumentando assim o fluxo sanguíneo no intestino.
Agora, diferente da hiperemia ativa, a hiperemia reativa ocorre apenas se o fluxo sanguíneo em um determinado tecido for ocluído por alguns segundos ou por alguns minutos.
Olha aqui um exemplo simples de hiperemia reativa.
Se eu apertar forte o meu pulso, eu vou ocluir o fluxo sanguíneo das artérias que levam sangue pros tecidos da minha mão. Fazendo isso, após alguns segundos, começa a faltar oxigênio nos tecidos, uma condição que a gente chama de hipóxia. Nessa condição, as próprias células endoteliais das arteríolas aqui da minha mão começam a sintetizar e liberar fatores locais, como o óxido nítrico, que tem uma potente ação vasodilatadora, ou seja, dilata as arteríolas.
Além disso, como o fluxo sanguíneo tá bloqueado, vão se acumulando metabólitos produzidos pelas células dos tecidos, que também atuam como fatores locais que dilatam ainda mais as arteríolas. E aí, com tudo isso dilatando as arteríolas, quando eu finalmente solto o meu pulso e libero o fluxo sanguíneo das artérias que irrigam a minha mão, olha só o que acontece, a minha mão fica muito vermelha. Isso porque o fluxo sanguíneo tá muito aumentado por causa da vasodilatação das arteríolas dos tecidos aqui da minha mão. E é exatamente esse aumento do fluxo sanguíneo provocado por uma oclusão temporária do fluxo que a gente chama de hiperemia reativa.
Então, a hiperemia reativa é como uma compensação que acontece devido à falta de suprimento sanguíneo que um tecido pode eventualmente sofrer por um período. E isso é importante pra suprir rapidamente a falta de oxigênio e nutrientes e pra remover rapidamente o excesso de gás carbônico e de outros metabólitos produzidos pelas células desse tecido.
-Tá, professora, mas na prática, quando isso acontece? Porque eu não vou ficar segurando o meu pulso só pra depois soltar e ter a hiperemia reativa, né?
Na prática, a gente vai ter hiperemia reativa quando a gente consegue desobstruir o fluxo sanguíneo de algum tecido que eventualmente pode ter sido obstruído em pessoas com aterosclerose ou trombose, por exemplo.
Nesses casos, placas de ateroma (ou placas de gordura) ou coágulos sanguíneos chamados de trombos podem eventualmente viajar pela circulação sanguínea e obstruir, ou entupir, pequenos vasos sanguíneos encontrados no coração, causando um infarto agudo do miocárdio, ou no encéfalo, causando um acidente vascular cerebral, o famoso AVC.
Se o paciente for socorrido a tempo e os médicos conseguirem desobstruir os pequenos vasos sanguíneos antes das células começarem a morrer, a hiperemia reativa pode ajudar o tecido a se recuperar mais rapidamente da falta de oxigênio e nutrientes que ele passou por um determinado período.
Mas lembre-se: quanto mais tempo a gente demorar pra desobstruir o fluxo sanguíneo, mais células podem morrer e mais danos irreversíveis podem acontecer, porque a hiperemia reativa não vai adiantar nada se as células já estiverem mortas. Por isso, em caso de infarto e AVC, o tempo é crucial pra sobrevivência e recuperação do paciente.
Bom, então, resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:
Hiperemia é qualquer aumento do fluxo sanguíneo e pode ser patológica ou fisiológica.
Existem hiperemias fisiológicas que dependem do controle extrínseco e outras que dependem do controle intrínseco ou local do fluxo sanguíneo.
Dentre as hiperemias fisiológicas que dependem do controle intrínseco ou local, nós temos a hiperemia funcional ou ativa e a hiperemia reativa.
Enquanto a hiperemia funcional ou ativa ocorre após um aumento da função ou atividade de um tecido, a hiperemia reativa ocorre após a desobstrução do fluxo sanguíneo de um tecido que passou um período sem fluxo sanguíneo adequado.
Bom, espero que esse vídeo tenha te ajudado de alguma forma, e se ele te ajudou, não esquece de curtir e compartilhar esse vídeo com aquele seu amigo que também tá precisando estudar esse conteúdo.
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A gente se vê num próximo vídeo, abraço!


Sobre a autora
Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.
Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.



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