Moléculas INORGÂNICAS e ORAGÂNICAS

Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "Moléculas INORGÂNICAS e ORAGÂNICAS".

TRANSCRIÇÕESÁTOMOS E MOLÉCUALS

Mirian Kurauti

3/9/20268 min read

No vídeo anterior, a gente viu que os átomos podem se ligar através de ligações iônicas, formando moléculas iônicas, como o cloreto de sódio (NaCl); e através de ligações covalentes, formando moléculas covalentes polares, como a água, ou apolares, como os hidrocarbonetos.

Mas além de classificar as moléculas como iônicas ou covalente, polares e apolares, a gente pode classificar as moléculas em: moléculas inorgânicas e moléculas orgânicas.

Mas o que são moléculas inorgânicas e orgânicas? Essa é uma das perguntas que a gente vai responder nesse vídeo. Bora?

E aí pessoal, tudo bem com vocês?

Eu sou Mirian Kurauti aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações pra você não perder os próximos vídeo que a gente postar por aqui.

Agora sem mais delongas, bora entender o que são moléculas inorgânicas e orgânicas?

Moléculas inorgânicas são moléculas que geralmente não apresentam átomos de carbono. Geralmente, porque tem exceções, como por exemplo o dióxido de carbono (CO2), que tem um átomo de carbono, mas é uma molécula inorgânica. Essa molécula é formada apenas por um átomo de carbono ligado a dois átomos de oxigênio sendo, portanto, um óxido.

Só lembrando, óxido nada mais é do que uma molécula formada por apenas dois elementos, sendo um deles o oxigênio, como é o caso do dióxido de carbono que a gente acabou de explicar e também da água, que é formada por um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio.

E já que citamos a água, vale a pena falar mais sobre essa molécula inorgânica que representa cerca de 55 a 60% do peso corporal de um indivíduo adulto.

Sim, mais da metade do nosso peso é água!

E como vimos na videoaula anterior, a água é uma molécula polar, ou seja, é uma molécula que tem um polo negativo representado pelo oxigênio parcialmente negativo, e dois polos positivos representados pelos hidrogênios parcialmente positivos. E é exatamente essa polaridade que torna a água um excelente solvente pra solutos como as moléculas polares e as moléculas iônicas.

Pra entender como a água dissolve esses tipos de solutos, a gente pode pegar como exemplo uma pedrinha, ou melhor, um cristal de um sal, como por exemplo um cristal de cloreto de sódio (NaCl).

Quando a gente coloca esse cristal na água, o átomo de oxigênio da água parcialmente negativo atrai os íons sódio (Na+) enquanto os átomos de hidrogênio da água parcialmente positivos atraem os íons cloreto (Cl-).

As moléculas de água então acabam circundando e separando os cátions e os ânions desse sal, ou seja, acabam dissociando esses íons. E aí, uma vez dissociados, esses íons podem atuar como cargas positivas e negativas que podem se mover pra lá e pra cá nesse solvente, gerando correntes elétricas que vão ser muito importantes pra geração de um impulso nervoso ou um potencial de ação nos neurônios como gente vai ver em outros vídeos.

Mas continuando aqui, assim como os óxidos são geralmente moléculas inorgânicas, os sais, também são geralmente moléculas inorgânicas, como por exemplo o cloreto de sódio e muitos outros sais.

-Ué professora, achei que sal era só esse tal de cloreto de sódio que a gente chama de sal. Tem mais sais além desse?

Tem sim.

Sais são moléculas formadas pela ligação iônica entre um cátion e um ânion, ou seja, os sais nada mais são do que moléculas iônicas.

Porém, lembre-se que a maioria dos sais presente no organismo humano encontram-se dissolvidos na água, ou seja, encontra-se dissociados em íons, ou melhor, ionizados, como a gente viu no exemplo do cloreto de sódio.

Então tirando algumas exceções, dificilmente a gente vai encontrar cristais de sal no organismo. Na verdade, o que a gente mais vai encontrar são esses sais na forma de íons.

Então, dentre os principais íons que a gente encontra dissolvidos na água do organismo humano, a gente pode citar além do íon sódio (Na+) e do íon cloreto (Cl-), o íon potássio (K+), o íon cálcio (Ca2+), e o íon fosfato (PO43-) que não é um átomo, mas é uma molécula com um número desigual de prótons e elétrons, nesse caso, 3 elétrons a mais do que o número de prótons, por isso PO43-.

Esse ânion inclusive pode ser encontrado tanto dissolvido na água ou ligado (por ligação iônica claro) a um cátion, no caso, o íon cálcio (Ca2+), pra formar cristais de um sal chamado de hidroxiapatita. Esse cristal de hidroxiapatita é depositado em estruturas do organismo que precisam ser mais rígidas, como os ossos e os dentes.

Portanto, cada íon que a gente encontra no organismo, tem funções específicas, como a gente vai ver em várias videoaulas por aqui.

Então, lembre-se, sais são molécula iônicas formadas por um cátion e por um ânion, desde que esse cátion não seja um íon hidrogênio (H+) e desde que esse ânion não seja um íon hidróxido (OH-).

-Pera aí, mas por que professora?

Quando uma molécula iônica tem como cátion o íon hidrogênio (H+), essa molécula não é chamada de sal, é chamada de ácido. Isso porque, quando eu coloco esse tipo molécula na água, como exemplo o ácido clorídrico (HCl), essa molécula se dissocia, se ioniza, liberando ou doando um íon hidrogênio (H+), e quando isso acontece o pH do meio pode diminuir ou seja, pode ficar mais ácido.

E quando uma molécula iônica tem como ânion o íon hidróxido (OH-) ela também não é chamada de sal, é chamada de base. Isso porque, quando eu coloco esse tipo molécula na água, como exemplo o hidróxido de potássio (KOH), essa molécula se dissocia, se ioniza, liberando um íon hidróxido (HO-) que pode receber um íon hidrogênio (H+) pra formar uma molécula de água, e quando isso acontece o pH do meio pode aumentar, ou seja, pode ficar mais básico.

Portanto, ácidos e bases, são importantíssimos pra manutenção do pH do organismo, e essa manutenção do pH é fundamental pra um funcionamento adequado de todo o organismo, como a gente vai ver em outras videoaulas.

Então, pra fechar nossa discussão sobre as moléculas inorgânicas que a gente encontra no organismo humano, lembre-se que essas moléculas geralmente são óxidos, sais na forma de íons, ácidos e bases.

Geralmente. Pois lembre-se que principalmente alguns sais na forma de íons, alguns ácidos e algumas bases podem ser moléculas orgânicas.

-Tá professora, mas o que são moléculas orgânicas?

Moléculas orgânicas são moléculas que apresentam átomos de carbonos geralmente ligados covalentemente a átomos de hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, e até mesmo a átomos de enxofre, formando estruturas geralmente mais complexas, como por exemplo, os carboidratos, como a glicose, os lipídeos como o colesterol, os aminoácidos que formam as proteínas, e as bases nitrogenadas que formam os ácidos nucleicos como o DNA e o RNA.

Então, carboidratos, proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos, são as principais classes de moléculas orgânicas que a gente encontra no organismo humano. E assim como qualquer molécula orgânica todas essas moléculas apresentam átomos de carbono.

E aí, lembra que cada átomo de carbono tem só 4 elétrons na sua camada de valência, ou seja, ele pode compartilhar elétrons com outros átomos pra poder ficar com 8 elétrons nessa camada. Isso abre muitas possibilidades de ligações covalentes, com átomos de hidrogênio como a gente mostrou nesse exemplo da videoaula anterior, formando os hidrocarbonetos, como também ligações covalentes com átomos de oxigênio, nitrogênio, enxofre e até mesmo outros átomos de carbono, formando assim cadeias de carbono que em uma molécula orgânica a gente costuma chamar de esqueleto de carbono.

E aí nesse caso, mesmo que um átomo de carbono se ligue a um outro átomo de carbono ainda sobra outras possibilidades de ligação a diversos átomos ou moléculas que a gente pode chamar de grupos funcionais. São esses grupos funcionais que vão diferenciar uma molécula orgânica da outra, e é essa diferença que vai conferir estruturas e propriedades químicas diferentes pra cada tipo de molécula orgânica.

Aqui nesse slide (ver vídeo) eu vou deixar pra você os principais grupos funcionais que podem se ligar nos esqueletos de carbono das moléculas orgânicas que a gente encontra no organismo humano.

Claro que eu não quero que você decore, mas vale a pena conhecer algumas propriedades desses principais grupos funcionais que a gente vai encontrar nessas moléculas, beleza?

Ah e além dos grupos funcionais ligados no esqueleto de carbono serem diferentes nos diferentes tipos de moléculas orgânicas, a disposição da cadeia de carbonos também pode ser diferente nos diferentes tipos de moléculas orgânicas, ou seja, essa disposição pode ser cadeia aberta ou linear como por exemplo no aminoácido cisteína e na forma linear da glicose ou pode ser cadeia fechada ou cíclica, como por exemplo na forma cíclica da glicose, que é a forma mais comum no organismo humano.

Bom então resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:

  • Moléculas inorgânicas são moléculas que geralmente não apresentam carbono na sua estrutura. No organismo humano são encontradas principalmente como óxidos, sais na forma de íons, ácidos e bases.

  • Moléculas orgânicas são moléculas que apresentam carbono na sua estrutura que é geralmente mais complexa. No organismo humano são encontradas principalmente como carboidratos, proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos.

Nos próximos vídeos, a gente fala mais sobre as estruturas e as funções dessas moléculas orgânicas, não perca!

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E como sempre qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?

A gente se vê num próximo vídeo, abraço!

Sobre a autora

Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.

Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.

Foto da autora do post Mirian Ayumi Kurauti criadora do MK Fisiologia
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