
LIPÍDEOS
Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "LIPÍDEOS".
TRANSCRIÇÕESÁTOMOS E MOLÉCUALS
Mirian Kurauti
4/5/202610 min read
Você provavelmente já ouviu falar em esteroides, mas você sabia que esteroides são basicamente um tipo de lipídio?
-Lipídio? Mas o que é um lipídio?
Calma, nesse vídeo a gente vai explicar o que são lipídeos e quais os principais tipos de lipídeos que a gente pode encontrar no nosso organismo. Bora?
E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Eu sou Mirian Kurauti, aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você está precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações para você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.
Agora, sem mais delongas, bora entender o que são lipídeos?
Lipídeos vêm do grego “lípos”, que significa gordura. Mas, no dia a dia, a gente costuma usar o termo gordura para se referir às gorduras que são sólidas em temperatura ambiente, como banha de porco, por exemplo, enquanto as gorduras que são líquidas em temperatura ambiente a gente chama de óleo.
Mas não importa, seja gordura sólida ou líquida, é tudo lipídeo.
Mas o que é exatamente um lipídeo?
Lipídeos são moléculas orgânicas cuja maior parte da cadeia de carbono, ou esqueleto de carbono, está ligada covalentemente a átomos de hidrogênio, ou seja, são moléculas orgânicas que contêm cadeias de hidrocarbonetos.
E, como vimos em uma videoaula anterior, a ligação covalente entre átomos de carbono e hidrogênio é uma ligação covalente apolar. Portanto, os lipídeos tendem a ser moléculas mais apolares.
Então, lembre-se, moléculas apolares não se dão bem com moléculas polares, como a água, ou seja, são insolúveis em água, não se dissolvem na água e, por isso, são chamadas de moléculas hidrofóbicas (hidro = água, fobia = medo), moléculas que têm medo da água, que fogem da água, o oposto das moléculas hidrofílicas (hidro = água, filia = afinidade), ou seja, moléculas que gostam da água, que têm afinidade com a água e se dissolvem na água, como é o caso dos carboidratos, que são moléculas polares, pois apresentam muitas ligações covalentes polares.
Mas, voltando aqui para os lipídeos, essa propriedade apolar e hidrofóbica dessas moléculas orgânicas é extremamente importante para várias funções dessas moléculas, como veremos ainda nesse vídeo.
Mas antes, a gente precisa entender melhor a estrutura básica dos lipídeos. E, para isso, lembre-se que essa estrutura básica depende do tipo de lipídio, isto é, se é um ácido graxo, se é um triacilglicerol, se é um fosfolipídio ou se é um esteroide.
-Nossa, professora, cada um desses tipos de lipídeos tem uma estrutura básica diferente?
Sim, mas não se preocupe que a gente vai com calma. Lembre-se: não é para você decorar essas estruturas, mas sim entender a diferença entre elas, beleza?
Então, começando pelos ácidos graxos, esse tipo de lipídio tem a estrutura básica mais simples, pois é formado apenas por uma cadeia de átomos de hidrogênio e carbono, ou seja, por uma cadeia de hidrocarbonetos com um grupo funcional chamado carboxila em uma das suas extremidades.
Como esse grupo funcional pode doar um íon hidrogênio (H⁺), essa molécula atua como um ácido, por isso ácido graxo.
Só a título de curiosidade, “graxo” significa gordo ou gorduroso, ou seja, um ácido gorduroso, um ácido que a gente encontra nas gorduras.
O número de átomos de carbono dos ácidos graxos pode variar, mas tanto nos alimentos como no nosso organismo os ácidos graxos mais comuns têm entre 16 carbonos, como é o caso do ácido palmítico, e 18 carbonos, como é o caso do ácido esteárico.
Além disso, o tipo de ligação covalente entre os carbonos pode variar, isto é, a ligação covalente entre os carbonos pode ser simples ou dupla.
Por exemplo, se o ácido graxo só tiver ligações simples entre os seus carbonos, como é o caso do ácido esteárico, o ácido graxo é saturado, ou seja, os átomos de carbono estão saturados com átomos de hidrogênio, não dá para ligar mais átomos de hidrogênio nesses carbonos.
Mas, se o ácido graxo tiver uma ou mais ligações duplas entre os seus átomos de carbono, o ácido graxo é insaturado, ou seja, os átomos de carbono não estão saturados com átomos de hidrogênio, fica meio que faltando um hidrogênio nesses carbonos que fazem a ligação covalente dupla.
Como os hidrogênios ligados nesses carbonos tendem a ficar do mesmo lado, numa posição que a gente chama de posição “cis”, a cadeia de carbono acaba se dobrando.
Então, enquanto os ácidos graxos saturados são mais “retos”, os ácidos graxos insaturados são mais “tortos”. E aí, como os ácidos graxos saturados são mais “retos”, eles se alinham um do lado do outro de forma bem compactada, como se fossem canudinhos retos, ou seja, eles podem ficar mais “juntos”, formando estruturas mais sólidas.
Ao contrário, os ácidos graxos insaturados são mais “tortos”, não se encaixam perfeitamente um ao lado do outro, como se fossem aqueles canudinhos com dobras, ou seja, eles ficam mais “separados”, mais “soltos”, formando estruturas mais fluidas.
Por esse motivo, gorduras que têm mais ácidos graxos saturados tendem a se solidificar mais facilmente, como é o caso da banha de porco, e gorduras que têm mais ácidos graxos insaturados tendem a não se solidificar tão facilmente, ou seja, tendem a permanecer fluidas, como é o caso dos óleos vegetais.
Mas você sabia que dá para diminuir a fluidez dos óleos vegetais?
Na indústria alimentícia, os óleos vegetais podem passar por alguns processos, e os hidrogênios dos carbonos insaturados passam da posição “cis” para a posição “trans”, ou seja, um hidrogênio fica de um lado e o outro fica do outro lado, e isso deixa o ácido graxo insaturado mais “reto”.
Como consequência, os alimentos com esse tipo de ácido graxo insaturado trans podem ficar mais crocantes e com uma textura mais agradável no paladar, ou seja, ficam mais saborosos e, ao mesmo tempo, podem durar mais.
Mas cuidado: não consuma uma quantidade muito grande desse tipo de ácido graxo, conhecido como “gordura trans”, porque a gente já sabe que o consumo exagerado desse tipo de gordura pode aumentar os riscos para algumas doenças cardiovasculares.
Consuma os ácidos graxos saturados e insaturados naturais que você encontra nos alimentos de origem animal e vegetal. São esses ácidos graxos que podem ser utilizados de maneira mais eficiente para produzir ATP, ou seja, são mais eficientes para fornecer energia para as nossas células, principalmente quando o organismo precisa de uma energia extra, como, por exemplo, durante uma atividade física mais longa, mais intensa.
Então, pensando nos ácidos graxos como uma fonte de energia, é interessante ter uma forma de armazenar os ácidos graxos no organismo, né?
Pois bem, para armazenar esses ácidos graxos, precisamos pegar três moléculas de ácidos graxos e ligar covalentemente essas três moléculas a uma outra molécula orgânica chamada glicerol, através de uma reação química de desidratação, para assim formar uma molécula de triacilglicerol, que pode ser armazenada de forma praticamente ilimitada em um tipo de tecido conjuntivo especializado chamado tecido adiposo, um tecido que, além de armazenar ácidos graxos na forma de triacilglicerol, pode evitar a perda de calor e proteger o organismo contra pancadas, já que podemos encontrar esse tecido embaixo de toda a extensão da nossa pele.
Portanto, a função desse outro tipo de lipídio, a função do triacilglicerol, é armazenar os ácidos graxos, que, como a gente viu, podem ser uma importante fonte de energia para alguns tecidos do organismo, principalmente para o tecido muscular.
Mas lembre-se que a função dos ácidos graxos não para por aí, pois os ácidos graxos também podem ser usados para “construir” um outro tipo de lipídio muito importante, os fosfolipídios.
A estrutura básica dos fosfolipídios é parecida com a do triacilglicerol, ou seja, é uma molécula de glicerol ligada covalentemente a duas moléculas de ácidos graxos e, no lugar da terceira molécula de ácido graxo, a gente tem um grupo funcional chamado fosfato, ligado covalentemente a uma molécula X, que pode variar de fosfolipídio para fosfolipídio.
Por exemplo, se essa molécula X for uma molécula chamada colina, a gente vai ter um fosfolipídio chamado fosfatidilcolina. Se essa molécula X for uma molécula chamada serina, a gente vai ter um fosfolipídio chamado fosfatidilserina. E, se essa molécula X for uma molécula chamada inositol, a gente vai ter um fosfolipídio chamado fosfatidilinositol.
Tanto o grupo fosfato quanto a colina, a serina e o inositol são moléculas ionizadas ou polares, que se dão bem com as moléculas de água, que também são polares. Ou seja, essa parte dos fosfolipídios é hidrofílica, ao contrário dos dois ácidos graxos ligados à molécula de glicerol, que são apolares e não se dão bem com as moléculas de água, ou seja, são hidrofóbicos.
Isso torna os fosfolipídios moléculas anfipáticas (anfi = ambos; patia = afinidade), ou seja, moléculas que têm afinidade tanto por moléculas polares, como a água, quanto por moléculas apolares.
Nesse caso, a parte dos fosfolipídios que tem afinidade com moléculas polares a gente chama de cabeça polar ou cabeça hidrofílica, e a parte da molécula que tem afinidade com moléculas apolares a gente chama de cauda apolar ou cauda hidrofóbica.
Essa propriedade dos fosfolipídios, de serem moléculas anfipáticas, torna essas moléculas essenciais para a formação das membranas celulares e até mesmo para a digestão e absorção de nutrientes hidrofóbicos ou lipossolúveis (isto é, insolúveis em água, mas solúveis em lipídeos), como a gente vai ver em outros vídeos aqui do canal.
Agora, indo para o último tipo de lipídio, que a gente chama de esteroides, lembre-se que a estrutura básica desse tipo de lipídio é a mais “diferentona” de todas.
A sua cadeia de carbonos não é aberta, na verdade, ela é fechada, formando quatro anéis interconectados de átomos de carbono. E esses átomos de carbono podem estar ligados covalentemente a átomos de hidrogênio e também a grupos funcionais específicos para formar diferentes esteroides.
O esteroide mais comum é o colesterol, que tem um grupo hidroxila, vários grupos metil e uma cauda de hidrocarboneto ligados covalentemente aos átomos de carbono da estrutura básica dos esteroides.
O grupo hidroxila tem ligação covalente polar, enquanto todo o restante da molécula tem ligação covalente apolar. Isso torna o colesterol uma molécula anfipática, com uma pequena cabeça polar ou hidrofílica e um corpo de quatro anéis com uma cauda apolar ou hidrofóbica.
E, por ser uma molécula anfipática, assim como os fosfolipídios, o colesterol também é essencial para a formação das membranas celulares, como a gente vai ver em outros vídeos aqui do canal.
Ah… e lembre-se: o colesterol não é essencial apenas para a formação das membranas celulares. O colesterol também é essencial para a síntese de vários outros esteroides com funções diferentes. Por exemplo, o colesterol atua como precursor na síntese dos hormônios sexuais, como a testosterona, os estrogênios e a progesterona (que não está aqui nesse slide), e do hormônio cortisol, além de atuar também como precursor na síntese dos ácidos biliares (que também não estão aqui nesse slide), mas que são esteroides que, junto com os fosfolipídios, são fundamentais para a digestão e absorção de nutrientes hidrofóbicos ou lipossolúveis.
Então, lembre-se que esteroides são um tipo de lipídio, e não apenas substâncias parecidas com a testosterona que os marombas das academias usam para ganhar mais massa muscular.
As funções da testosterona e dos demais hormônios esteroides a gente vai ver quando a gente chegar lá nos vídeos sobre a fisiologia do sistema endócrino, beleza?
Bom, então, resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:
Os lipídeos são moléculas orgânicas formadas principalmente por átomos de carbono e hidrogênio, sendo, portanto, moléculas mais apolares e hidrofóbicas.
Dentre os principais tipos de lipídeos, nós temos os ácidos graxos, os triacilgliceróis, os fosfolipídios e os esteroides.
Cada tipo de lipídio tem várias funções importantes, como o fornecimento de energia, a formação das membranas celulares, a digestão e absorção de nutrientes lipossolúveis e a síntese de vários hormônios esteroides, cada um com funções específicas.
E, para finalizar, lembre-se que, embora os lipídeos apresentem muitas funções, ainda temos um tipo de molécula orgânica que tem muito, mas muito mais funções do que os lipídeos. E adivinha que tipo de molécula orgânica é essa?
Sim, as proteínas. E é sobre essas moléculas que a gente vai falar no próximo vídeo, não perca!
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E, como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?
A gente se vê num próximo vídeo, abraço!


Sobre a autora
Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.
Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.



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