
FISIOLOGIA do ATO SEXUAL MASCULINO e FEMININO
Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "FISIOLOGIA do ATO SEXUAL MASCULINO e FEMININO ".
TRANSCRIÇÕESFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO
Mirian Kurauti
8/31/202611 min read
Como funciona a resposta sexual nos homens e nas mulheres? Nesse vídeo, a gente vai falar sobre a fisiologia do ato sexual, bora?
E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Pra quem ainda não me conhece, eu sou Mirian Kurauti, professora, mestre e doutora em fisiologia pela UNICAMP, e criadora aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal aí e ative as notificações pra você não perder nenhuma videoaula que a gente prepara sempre com muito empenho por aqui.
Agora, sem mais delongas, bora entender como funciona a resposta sexual nos homens e nas mulheres?
Bom, se você ainda não assistiu aos vídeos de revisão do sistema reprodutor masculino e feminino, recomendo muito você assistir a esses vídeos antes de continuar assistindo a esse vídeo aqui pra você não ficar boiando. Então, caso você ainda não tenha assistido, eu vou deixar um card pra você clicar (ou clique aqui), beleza? Mas se você já assistiu, bora que bora!
A fisiologia do ato sexual masculino e feminino pode ser dividida em fases:
Desejo (libido)
Excitação
Platô
Orgasmo
Resolução
Algumas dessas fases são mais evidentes nos homens e outras mais evidentes nas mulheres, então a gente vai fazer uma comparação entre o que acontece nos homens e o que acontece nas mulheres em cada uma dessas fases.
Começando então pela fase de desejo, ou de libido, que, aliás, é um termo que vem do latim e significa desejo, vontade. Esse desejo ou essa vontade de fazer certas coisas, tanto nos homens como nas mulheres, depende da ação da testosterona nos homens e também de outros androgênios nas mulheres.
-Mas, professora, as mulheres produzem androgênios?
Sim, produzem. Tem duas glândulas que podem produzir androgênios: as glândulas suprarrenais ou adrenais e os ovários.
A testosterona e outros androgênios que também podem ser convertidos em testosterona parecem agir em certas áreas do sistema nervoso central, que, sob a ação desses hormônios, podem gerar o desejo sexual nos homens e nas mulheres quando chega um estímulo sensorial apropriado.
Esses estímulos sensoriais podem ser estímulos mecânicos, isto é, estímulos táteis, principalmente em regiões corporais ricas em terminações nervosas táteis como a glande do pênis e o clitóris, estímulos visuais, olfatórios, sonoros e até mesmo, claro, estímulos psíquicos, como por exemplo alguns pensamentos intrusivos, sabe?
E, a partir desses estímulos, já começa a próxima fase, a fase de excitação.
Na verdade, é até difícil separar essas duas fases iniciais porque os estímulos que geram o desejo, a libido, já iniciam os eventos da fase de excitação.
Então, nos homens, esses estímulos ativam áreas específicas do sistema nervoso central, como o sistema límbico e o hipotálamo, que geram impulsos nervosos que descem pra medula espinal, isto é, impulsos nervosos descendentes que diminuem a atividade dos neurônios simpáticos que inervam as artérias e arteríolas penianas e aumentam a atividade dos neurônios parassimpáticos que inervam essas mesmas artérias e arteríolas.
E aí, lembra que na maioria das artérias e arteríolas, se a gente diminuir a atividade dos neurônios simpáticos que inervam esses vasos, diminui a liberação de noradrenalina sobre seus receptores alfa 1-adrenérgicos presentes nas células musculares lisas desses vasos, e esse efeito por si só já relaxa o músculo liso vascular e dilata as artérias e arteríolas penianas.
Porém, além disso, diferente da maioria das artérias e arteríolas, as artérias e arteríolas penianas também são inervadas por neurônios parassimpáticos que, quando têm sua atividade aumentada, aumentam a liberação de um neurotransmissor gasoso, o óxido nítrico.
Esse gás pode se difundir livremente através da membrana plasmática das células musculares lisas das artérias e arteríolas penianas e ativar o seu receptor intracelular com atividade enzimática guanilil ciclase. Essa enzima, então, converte o GTP em GMP cíclico (GMPc), o segundo mensageiro da via de sinalização intracelular que inibe a contração, causando relaxamento muscular. O relaxamento das células musculares lisas das artérias e arteríolas penianas que irrigam os corpos cavernosos e o corpo esponjoso dilata ainda mais esses vasos, aumentando o fluxo sanguíneo nos espaços sinusoidais desses tecidos eréteis.
O aumento desse fluxo faz esses tecidos se encherem de sangue e apertarem as veias e vênulas que drenam esse sangue de modo que o sangue consegue entrar com facilidade pelas artérias e arteríolas, mas tem dificuldade de sair pelas veias e vênulas, o que mantém os espaços sinusoidais bem cheios de sangue, causando a rigidez peniana durante a fase da ereção.
Ah... e sabendo desse mecanismo, fica fácil entender como agem aquelas pílulas azuis para o tratamento da disfunção erétil, como por exemplo o famoso Viagra®, cujo princípio ativo é a sildenafila. Essa droga inibe a enzima fosfodiesterase tipo 5, a enzima responsável por degradar o GMPc e encerrar a sinalização do relaxamento muscular que causa a ereção. Então, quando a enzima é inibida, o GMPc não é degradado, as células musculares lisas podem continuar relaxadas e as artérias e arteríolas penianas podem continuar dilatadas, mantendo assim a ereção peniana por mais tempo.
Já nas mulheres, nessa fase de excitação, também acontece algo parecido. Isto é, diminuição da atividade simpática e aumento da atividade parassimpática nas artérias e arteríolas que irrigam o tecido erétil do clitóris (os corpos cavernosos) e do bulbo do vestíbulo (o corpo esponjoso), uma estrutura interna que fica atrás dos pequenos lábios ao redor da uretra e da vagina.
Portanto, durante a fase de excitação, ocorre acúmulo ou ingurgitamento de sangue que aumenta o tamanho do clitóris e do bulbo do vestíbulo. O aumento do bulbo do vestíbulo pode apertar o canal vaginal, que acaba ficando mais “apertado”, aumentando assim a estimulação mecânica durante a penetração.
Agora, passando pra fase de platô, nos homens, a ereção peniana atinge o seu pico de rigidez devido ao aumento da atividade parassimpática sobre as artérias e arteríolas penianas.
Além disso, nessa fase, o aumento da atividade parassimpática sobre as glândulas bulbouretrais estimula a secreção de um muco mais alcalino diretamente na uretra, o que ajuda a neutralizar o pH mais ácido da uretra e a lubrificar tanto a uretra quanto a glande do pênis para diminuir o atrito que poderia danificar os espermatozoides que vão passar por esse canal.
Essa fase de platô geralmente é mais curta nos homens e mais longa nas mulheres, que também atingem o pico de aumento do tamanho do clitóris e do bulbo do vestíbulo. Além disso, também sob estimulação parassimpática, as glândulas vestibulares secretam um muco mais alcalino no vestíbulo da vagina, um muco que ajuda a neutralizar o pH mais ácido da vagina e a lubrificar a vagina para diminuir o atrito durante a penetração.
Tanto a secreção das glândulas bulbouretrais nos homens como a secreção das glândulas vestibulares nas mulheres podem iniciar durante a fase de excitação, mas fica mais evidente na fase do platô, quando a ereção peniana e o aumento do clitóris e do bulbo do vestíbulo atingem seu pico.
Quando a estimulação sensorial e psíquica é tão intensa que atinge um certo nível de excitação neural que a gente pode chamar de limiar, a atividade parassimpática é inibida e a atividade simpática é estimulada, dando início à fase de orgasmo.
Nos homens, essa fase é dividida em duas subfases: emissão e ejaculação.
Nos homens, o sistema nervoso autônomo simpático inerva a musculatura lisa da parte final do ducto do epidídimo, da musculatura lisa de todo o ducto deferente, dos ductos ejaculatórios, das vesículas seminais e da próstata. E o aumento da atividade simpática sobre a musculatura lisa dessas estruturas promove uma contração peristáltica que vai empurrando espermatozoides, líquido seminal, líquido prostático, tudo pra uretra (emissão).
Ao mesmo tempo, a atividade simpática também aumenta sobre o esfíncter interno da uretra, que fica bem na saída da bexiga urinária. A atividade simpática nesse tipo de músculo liso também promove contração e, portanto, fechamento desse esfíncter, o que é muito importante pra impedir que a urina se misture com o sêmen e que o sêmen vá pra bexiga urinária.
Então, nesse momento, todo o sêmen se acumula na uretra e isso causa uma distensão nesse canal.
Essa distensão ativa mecanorreceptores que iniciam uma resposta reflexa, aumentando a atividade simpática sobre a musculatura lisa da parede da uretra, que promove uma contração que empurra tudo pra fora da uretra, ou seja, que promove a ejaculação do sêmen.
Além disso, a resposta reflexa também ativa neurônios motores que inervam músculos esqueléticos localizados na base do pênis (músculos bulboesponjoso e isquiocavernoso), cuja contração também pode ajudar na ejaculação do sêmen.
Nas mulheres, a fase de orgasmo é um pouco diferente: não existem as subfases de emissão e ejaculação.
Então, quando a estimulação sensorial e psíquica é tão intensa que atinge o limiar, a atividade parassimpática é inibida e a atividade simpática é estimulada, promovendo contração da musculatura lisa da vagina e do útero. Essas contrações podem ajudar os espermatozoides a chegar mais rápido nas tubas uterinas, mas não é uma coisa obrigatoriamente necessária, ou seja, mesmo que a mulher não chegue à fase de orgasmo, os espermatozoides conseguem chegar nas tubas uterinas.
Agora, uma coisa que acontece tanto nas mulheres como nos homens durante essa fase é uma ativação meio que em massa do sistema nervoso autônomo simpático, que pode causar aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Ah... e além dessa resposta meio que em massa do sistema nervoso autônomo simpático, podem acontecer também contrações de alguns grupos de músculos esqueléticos em várias partes do corpo, e é por isso que podem acontecer uns “tremiliques” durante essa fase.
E, por fim, mas não menos importante, depois da fase de orgasmo, vem a fase de resolução.
Nos homens, a inibição do sistema nervoso autônomo parassimpático e a ativação do sistema nervoso autônomo simpático inibem o relaxamento das células musculares lisas das artérias e arteríolas penianas e estimulam a contração dessas células, causando constrição desses vasos, ou seja, vasoconstrição, o que diminui drasticamente o fluxo sanguíneo nas artérias e arteríolas penianas. Isso diminui a pressão nos corpos cavernosos e no corpo esponjoso, descomprime as veias desses tecidos eréteis, e o sangue agora pode ser drenado, diminuindo a rigidez do pênis, que retorna agora para o seu estado flácido.
Nessa fase de resolução, os homens passam obrigatoriamente por um período refratário, isto é, um período logo após a fase de orgasmo no qual não é possível uma ereção peniana. Nem com o melhor estímulo do mundo o negócio não sobe mais nesse período.
A duração desse período varia de homem pra homem. Em alguns dura aí alguns minutos, em outros algumas horas, e isso é completamente normal. Não se preocupem, meninos!
Agora, as mulheres não apresentam esse período refratário. Se após a fase de orgasmo ela receber estímulos adequados, ela pode começar as fases tudo de novo, sem problemas, mesmo após as respostas parassimpáticas terem sido inibidas e as respostas simpáticas terem sido ativadas, diminuindo o fluxo sanguíneo para os tecidos eréteis do clitóris e do bulbo do vestíbulo, elas já tão prontas pra começar tudo de novo.
E, nessa história toda das fases do ato sexual, se os espermatozoides ejaculados no interior da vagina conseguirem chegar nas tubas uterinas e encontrar um ovócito secundário, a fecundação pode acontecer.
Mas, como exatamente ocorre a fecundação, a gente deixa pra responder no próximo vídeo, não perca!
Bom então resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que:
A fase de desejo ou libido depende da ação da testosterona e de androgênios no sistema nervoso central, além de estímulos sensoriais eróticos.
Na fase de excitação, os estímulos sensoriais eróticos inibem o sistema nervoso autônomo simpático e ativam o parassimpático, causando a vasodilatação nos tecidos eréteis do pênis nos homens e no clitóris e bulbo do vestíbulo nas mulheres.
Na fase de platô, a ereção peniana e o aumento do clitóris e do bulbo do vestíbulo atingem o seu pico, e as glândulas bulbouretrais nos homens e glândulas vestibulares nas mulheres secretam um muco alcalino importante pra neutralizar o pH ácido e lubrificar as estruturas.
Na fase de orgasmo, o sistema nervoso autônomo parassimpático é inibido e o simpático é ativado, causando contrações da musculatura lisa do trato genital masculino, causando a emissão, seguida da ejaculação, causada pelas contrações reflexas da musculatura lisa da uretra e de alguns músculos esqueléticos específicos. A ativação do simpático também causa contrações da musculatura lisa do trato genital feminino e, em ambos os sexos, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.
E, na fase de resolução, a vasoconstrição das artérias e arteríolas penianas nos homens e das artérias e arteríolas do clitóris e do bulbo do vestíbulo nas mulheres causa a flacidez peniana e o retorno ao tamanho normal do clitóris e do bulbo do vestíbulo. Nos homens, essa fase ainda é marcada por um período refratário que nas mulheres não acontece.
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E como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza?
A gente se vê num próximo, abraço!


Sobre a autora
Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.
Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.



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