ÁCIDOS NUCLEICOS

Este post é a transcrição da videoaula publicada em nosso canal do YouTube "ÁCIDOS NUCLEICOS".

TRANSCRIÇÕESÁTOMOS E MOLÉCUALS

Mirian Kurauti

4/26/20267 min read

Ácidos nucleicos...

-Ácidos o quê?

... É, acho que é isso que vem na cabeça da maioria das pessoas quando ouvem alguém falar em ácidos nucleicos.
Mas quando ouvem alguém falar DNA...

-Genes, mutações genéticas!

... Exatamente, genes, mutações genéticas.
Mas o que é exatamente um gene e uma mutação genética?

Bom, pra responder essa pergunta, a gente precisa primeiro saber o que é exatamente o DNA.

E aí pessoal, tudo bem com vocês?

Eu sou Mirian Kurauti, aqui do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações pra você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.

Agora, sem mais delongas, bora entender o que é o DNA?

O DNA, uma sigla que vem do inglês e significa ácido desoxirribonucleico, é um tipo de ácido nucleico, assim como o RNA, uma sigla que vem do inglês e significa ácido ribonucleico.

Portanto, DNA e RNA fazem parte de uma classe de moléculas orgânicas que a gente chama de ácidos nucleicos, que, assim como os polissacarídeos e os polipeptídeos ou proteínas, são, na verdade, polímeros, ou seja, macromoléculas formadas pela ligação de muitos monômeros.

Como vimos, os monômeros dos polissacarídeos são os monossacarídeos.

Os monômeros dos polipeptídeos ou das proteínas são os aminoácidos.

E os monômeros dos ácidos nucleicos são os nucleotídeos.

Então, se a gente quiser entender a estrutura básica dos ácidos nucleicos, DNA e RNA, primeiro a gente precisa entender a estrutura básica dos nucleotídeos.

Então, vamos lá. Os nucleotídeos são formados por um monossacarídeo de cinco carbonos, ou seja, uma pentose (desoxirribose no caso do DNA e ribose no caso do RNA), ligada covalentemente a um grupo fosfato e a uma molécula orgânica chamada de base nitrogenada.

Essa base nitrogenada tem esse nome porque é uma base de carbono, ou um esqueleto de carbono cíclico, mas que tem nitrogênio no meio, ou seja, é uma base nitrogenada. Essa base pode ser de dois tipos: pirimidinas, que são formadas apenas por um anel de carbono e nitrogênio, e purinas, que são formadas por dois anéis de carbono e nitrogênio. E aí, dependendo dos grupos funcionais ligados a esses anéis, a gente pode ter três tipos de pirimidinas (citosina, timina, que a gente só encontra no DNA, e uracila, que a gente só encontra no RNA) e dois tipos de purinas (adenina e guanina).

Então, no total, a gente vai ter quatro tipos de nucleotídeos pra “construir” o DNA e quatro tipos de nucleotídeos pra “construir” o RNA.

-Beleza, professora, mas então como é que se “constroem” esses ácidos nucleicos?

Bom, lembra que pra “construir” os polissacarídeos e as proteínas a gente tinha que ligar covalentemente os monômeros, monossacarídeos no caso dos polissacarídeos e aminoácidos no caso das proteínas?

Então, aqui a gente liga covalentemente os nucleotídeos pra formar um polímero, uma macromolécula, uma fita de nucleotídeos que pode ter um número variável de nucleotídeos.

No caso do DNA, essa fita de nucleotídeos interage com outra fita de nucleotídeos, uma fita complementar, isto é, uma fita que vai ter uma sequência de nucleotídeos complementares à sequência de nucleotídeos da outra fita.
Como assim?

Lembra lá das aulas de biologia, quando você estudou que, no DNA, a adenina, que é uma purina, interage com uma pirimidina, a timina, e a guanina, que é outra purina, interage com uma outra pirimidina, a citosina. E essa interação acontece através de pontes de hidrogênio que se formam entre os átomos de hidrogênio e nitrogênio, e entre os átomos de hidrogênio e oxigênio das bases nitrogenadas. E aí, vale lembrar que são duas pontes de hidrogênio entre a adenina e a timina e três pontes de hidrogênio entre a guanina e a citosina.

Além das pontes de hidrogênio, podem acontecer também outras interações entre as bases nitrogenadas que fazem com que as duas fitas de DNA fiquem torcidas, formando uma dupla hélice, parecendo uma escada em espiral, onde cada degrau é formado pelo par de bases nitrogenadas mantidas unidas pelas pontes de hidrogênio.

A sequência dessas bases nitrogenadas da dupla fita de DNA varia, e é exatamente essa sequência variável de adenina, timina, guanina e citosina que guarda as “receitas” pra fazer todas as proteínas. Uma “receita” em códigos que usam as letras A de adenina, T de timina, G de guanina e C de citosina.

Uma dupla fita de DNA pode guardar várias “receitas”, ou vários códigos, de várias proteínas diferentes, e cada um desses códigos a gente chama de gene.

Portanto, gene nada mais é do que uma sequência de nucleotídeos de uma molécula de DNA que guarda a “receita”, o código de uma proteína, isto é, que guarda a sequência de aminoácidos de uma proteína, codificada em uma sequência de nucleotídeos.

Então, pra cada proteína que as nossas células sintetizam, existe um gene. E, se a sequência de nucleotídeos desse gene, por algum motivo, for alterada, a “receita” da proteína vai ser alterada, e a proteína sintetizada a partir dessa “receita” alterada poderá ter a sua estrutura e função alteradas.

Essa alteração da sequência de nucleotídeos de um determinado gene é o que a gente chama de mutação genética, que pode causar alteração do funcionamento de uma proteína e, assim, causar eventualmente uma doença genética.

Então, lembre-se, o DNA é como se fosse um livro que guarda informações codificadas sobre como fazer as proteínas.

-Beleza, professora, mas e o RNA? Qual é a função desse outro ácido nucleico?

Bom, o RNA, que tem a ribose no lugar da desoxirribose nos seus nucleotídeos e que não tem timina, mas tem uracila como uma das bases nitrogenadas dos seus nucleotídeos, não se encontra em fita dupla igual ao DNA. Ele se encontra em fita simples, que pode eventualmente se dobrar caso tenha uma sequência de bases nitrogenadas complementares, como a gente pode observar aqui nesse exemplo.

A função do RNA depende do tipo de RNA.
E hoje a gente já conhece vários tipos de RNA, mas os principais tipos são: o RNA mensageiro, o RNA transportador e o RNA ribossômico, que, junto com algumas proteínas, formam o que chamamos de ribossomos. Todos esses tipos de RNAs trabalham juntos pra pegar as “receitas”, ou os códigos genéticos, das proteínas que ficam guardados lá no DNA e, a partir dessa receita, fazer as proteínas, ou melhor, sintetizar as proteínas.

Agora, como exatamente tudo isso acontece e quais as funções detalhadas de cada um desses tipos de RNA, a gente deixa pra explicar em um outro vídeo.

Bom, então, resumindo tudo o que a gente viu nesse vídeo, lembre-se de que:

  • Os ácidos nucleicos são macromoléculas, são polímeros formados por nucleotídeos ligados uns aos outros.

  • Os nucleotídeos são moléculas orgânicas formadas por um monossacarídeo (desoxirribose ou ribose) ligado a um grupo fosfato e a uma base nitrogenada.

  • As bases nitrogenadas podem ser de dois tipos: pirimidinas (citosina, timina, que a gente só encontra no DNA, e uracila, que a gente só encontra no RNA) e purinas (adenina e guanina).

  • O DNA é formado por duas fitas de nucleotídeos que formam uma dupla hélice, já o RNA é formado apenas por uma fita simples de nucleotídeos.

  • Enquanto o DNA guarda os genes, os códigos das proteínas, o RNA consegue usar esses códigos pra produzir, ou melhor, pra sintetizar as proteínas.

Bom, esse vídeo encerra a nossa discussão sobre as principais moléculas orgânicas encontradas no organismo humano: carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos.

Claro que existem outros tipos de moléculas orgânicas, mas a gente vai apresentando essas outras moléculas em outros vídeos conforme elas forem aparecendo, beleza?

Mas e aí, gostou do vídeo? Se gostou, não esquece de curtir, comentar e compartilhar com aquele seu amigo que também tá precisando estudar esse conteúdo.

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E, como sempre, qualquer dúvida pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder.
A gente se vê num próximo vídeo, abraço!

Sobre a autora

Mirian Ayumi Kurauti é apaixonada pela fisiologia humana, com uma trajetória acadêmica admirável. Ela se formou em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez mestrado e doutorado em Biologia Funcional e Molecular com ênfase em Fisiologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e ainda atuou como pesquisadora de pós-doutorado na mesma instituição. Além disso, já lecionou fisiologia humana na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e biologia celular na UEL. A sua última experiência como professora de fisiologia humana foi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Fundadora da MK Educação Digital Ltda (MK Fisiologia), atualmente, Mirian é a mente criativa por trás de todos os conteúdos publicados nas redes sociais da empresa.

Apaixonada pela docência, Mirian adora dar aulas de fisiologia humana, mas de um jeito mais descontraído e se diverte muito ensinando. Ela está sempre buscando aprender algo novo não só sobre fisiologia, mas sobre qualquer coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Por isso, é uma consumidora compulsiva de conteúdos de divulgadores científicos. Nas horas vagas, você pode encontrá-la na piscina, treinando e participando de competições de natação. Para Mirian, a vida só tem graça, se ela tiver desafios a serem superados. Hoje, o seu maior desafio é ajudar o maior número de estudantes a entender de verdade a fisiologia humana, principalmente através de suas videoaulas publicadas no canal do YouTube MK Fisiologia.

Foto da autora do post Mirian Ayumi Kurauti criadora do MK Fisiologia
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